Aos 27 anos, a atriz Débora Falabella já coleciona personagens de destaque numa curta trajetória televisiva ela começou em 1998, em Malhação e agora é protagonista de Sinhá Moça. Outros personagens nem nasceram assim tão importantes, mas foram ganhando espaço nas tramas em função do carisma que a atriz demonstra em cena. Como, por exemplo, quando fez crescer a participação da inicialmente insossa Maria Eduarda, de Senhora do Destino, ou ao defender com maestria personagens mais complexos, como a viciada em drogas Mel, de O Clone.
Bem antes de despontar na tevê, no entanto, a mineira Débora Falabella já estava totalmente seduzida pela arte de interpretar. Isso foi aos 16 anos, quando subiu num palco em Belo Horizonte, cidade onde nasceu e cresceu. Nos últimos tempos, Débora tem se dedicado especialmente ao cinema e esteve em produções como A Dona da História, de João Falcão, Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes e Cazuza. Essas conquistas, no entanto, não influenciam seu jeito simples de encarar a profissão.
''Acho que foi o teatro que nunca me permitiu e até hoje não deixa eu me iludir com pequenas vaidades. Não sou uma atriz de televisão. Sou uma atriz de teatro, tevê e cinema. Quando você só trabalha em um meio e ele envolve todo um universo de egos e vaidades, isso se torna atraente para quem não tem os pés no chão. E é muito ruim os outros enxergarem você como algo muito especial. Sei que tem todo um glamour que envolve a tevê mas, sinceramente, tenho minhas dúvidas se hoje isso é maior ou menor do que em épocas anteriores. Essas revistas de fofoca trazem fotos dos artistas em tantas situações que deve ficar difícil para as pessoas acreditarem no personagem que o ator incorpora''.
A atriz tem mesmo é orgulho da meteórica história que está construindo no cinema. Isso porque ela acha que o mais comum no Brasil é os filmes alcançarem sucesso de crítica ou de público, mas raramente conciliam esses dois resultados. Mas as produções que a atriz participou conseguiram esse feito.
Contente com o resultado de seu trabalho, Débora atualmente valoriza o fato de sua mocinha não passar a novela inteira apenas sofrendo. ''Não é uma boazinha que sofre durante toda a trama. Ela tem personalidade. É humana'', defende.
Débora reconhece, no entanto, que lidar com o tempo é uma dificuldade para uma atriz que concilia projetos na tevê, no teatro e no cinema. ''Esse é o problema da minha vida. Sempre me falta tempo. Se eu faço só televisão, posso ter férias e descanso. Mas eu não consigo. Minha vida sempre foi marcada pelo teatro e pelo cinema. Depois é que veio a televisão. O meu dilema é fazer tevê, teatro e cinema e ainda tentar ter férias. Agora devo dar uma parada na tevê, até porque fiz dois trabalhos seguidos. É bacana ter um tempo de descanso para as pessoas esquecerem um pouco o personagem. Hoje em dia, os atores estão atuando em trabalhos cada vez mais próximos. Acho isso ruim porque você não desliga. Enfrentei um pouco esse problema porque as pessoas ainda falavam da Sara, de JK, quando a Sinhá entrou no ar.
Em 2007, a atriz vai adicionar mais uma obra em sua carreira cinematográfica. Seu nome já foi confirmado no elenco de O Primo Basílio, filme que será dirigido por Daniel Filho, que também comandou a minissérie na Globo, em 1988. As gravações do longa começam já em outubro. Ainda na pele de Sinhá Moça, Débora se prepara para encarar a Luísa idealizada pelo escritor português Eça de Queiroz. ''Como na novela minha personagem já foi construída, dá para ir pensando na composição da Luísa'', antecipa, toda empolgada.

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