Ex-marceneiro ganha Nobel da arquitetura
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sábado, 18 de abril de 2009
Folhapress 
São Paulo - Depois de dois anos seguidos premiando ''estrelas'' da arquitetura, o júri do Pritzker 2009 reservou a um ex-marceneiro, que vive recluso em uma vila nos Alpes suíços, o prêmio máximo da área.
Peter Zumthor, 65 anos, é o detentor da honraria, que equivale a um Nobel da arquitetura, em sua 31 edição. O prêmio, de US$ 100 mil, será entregue em cerimônia que vai acontecer pela primeira vez na América do Sul - em Buenos Aires, no dia 29 de maio.
Pouco afeito a entrevistas, conhecido por recusar diversos projetos e morador de uma vila com menos de mil habitantes (Haldenstein), Zumthor era um dos nomes sempre citados nos bastidores do meio como possível premiado.
Na nota oficial da Fundação Hyatt, que organiza o Pritzker, Zumthor é considerado um profissional ''excepcionalmente determinado'', que ''combina clareza e rigor por meio de uma verdadeira dimensão poética''.
As idéias defendidas por Zumthor estão no livro ''Pensar a Arquitetura'' (ed. Gustavo Gili). ''Em uma sociedade que celebra o não essencial, a arquitetura pode colocar-se como resistência'', destaca o arquiteto.
O júri do prêmio - composto por nove prestigiados profissionais, como o italiano Renzo Piano, destacou alguns projetos-chave de Zumthor, em especial as termas na cidade suíça de Vals, ''sua obra-prima'', mas também o Museu de Arte Kolumba, em Colônia (Alemanha), um projeto de linhas contemporâneas, que se relaciona com ''camadas de história''. Destacado por sua extrema sobriedade, o conjunto é frequentemente tido como um exemplar minimalista da carreira de Zumthor, assim como o museu em Bregenz, na Áustria, que se aproveita discretamente da luz natural para iluminar o interior.
Já o museu em Colônia está instalado sobre as ruínas de uma antiga igreja, destruída durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Zumthor criou uma estrutura de concreto que abriga 17 espaços expositivos de diferentes tamanhos e iluminações, muitos deles expondo camadas de antigas ocupações do local, algumas do século 7. O museu abriga de peças medievais a instalações contemporâneas.
Os brasileiros Oscar Niemeyer, 101 anos, e Paulo Mendes da Rocha, 80, venceram as edições de 1988 e 2006 do Pritzker.


