'Estou envelhecendo, mas não sofro'
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domingo, 06 de fevereiro de 2011
Agência Estado 
São Paulo - Ney Matogrosso nem de longe parece ser um senhor prestes a completar 70 anos. Desde 2009, o cantor, em plena forma física, cumpre a agenda da turnê ''Beijo Bandido''. Em setembro passado, registrou o show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, lançado em CD e DVD ao vivo (EMI). Sobe ao palco do HSBC Brasil, em São Paulo, de 18 a 20 de fevereiro.
No dia 1º de agosto, você vai completar 70 anos. Como lida com o envelhecimento?
Com naturalidade. Sei que estou envelhecendo, mas não sofro. Se não, você vira um maluco todo desfigurado, todo puxado. E não quero ser isso. Quero ser uma pessoa normal até o fim da minha vida. Sempre aparentei ter 10 anos a menos. É genética. Minha mãe tem 88 anos, e é lépida e fagueira. Talvez isso seja uma das causas para eu não me preocupar tanto com isso.
Mas você segue uma rotina que ajuda a ter essa disposição?
Faço ginástica todos os dias e gosto de comer pouco. Sempre fui assim. Hoje em dia, estão descobrindo que um dos segredos da longevidade é comer pouco.
Você diz que gosta de passar despercebido fora do palco. Como isso é possível?
A energia emitida pela minha pessoa não é a mesma emitida pelo artista no palco. Ali (no palco), eu cancelo uma censura. Minha liberação é total. Claro que não sou uma pessoa louca, que vive se jogando sem ter um motivo. Tendo um roteiro apropriado, eu me largo.
Como seus pais reagiram quando souberam que você gostava de namorar homens?
Nunca perguntei. A única vez em que meu pai se referiu a esse assunto foi quando ele percebeu que existia também um movimento de mulheres na minha vida. Ele me disse que achava que aquilo estava errado e que eu tinha de me definir. Ele achava errado a indefinição, que eu transasse com homens e mulheres. Respondi: ''Eu não tenho de definir nada. Que papo é esse? Vou aproveitar tudo o que é bom na vida''.
Certa vez, você disse que descobriu sua sexualidade na igreja...
Meus pais eram espíritas, mas nunca me impediram de nada. Fui para a Igreja Católica, porque eu queria fazer primeira comunhão. Tinha uns 7, 8 anos. Tive de me confessar, e a primeira coisa que o padre me perguntou foi: ''Você já fez saliência com meninas?''. Eu disse que não. ''E com meninos?''. Aquilo nunca tinha me ocorrido. A partir dali, fiquei pensando: ''Ué, se ele me perguntou, é porque se faz''.
E sua relação com as drogas?
Usei muitas drogas. E enjoei de todas elas. Mas estamos falando de uma outra época. Estou falando de um momento em que o LSD abria as portas da percepção, sim. Há poucos anos, tomei um, porque uns amigos insistiram. Disse para eles: ''Sinto muito, mas isso que tomamos não é ácido. Não abre as portas da percepção. É anfetamina.''


