Desde quarta-feira, acontece em São Paulo o maior evento de moda do Brasil, que começou cheio de vontades. A maior delas é se tornar a quarta semana de moda mais importante do mundo. De acordo com Paulo Borges, idealizador e diretor da São Paulo Fashion Week, os planos incluem o aumento do número de grifes participantes. Dos 24 desfiles desta décima edição, o evento passaria a ter 55 até 2004. O anúncio causou um certo espanto na platéia de jornalistas que assistiu à abertura oficial do evento – que teve a participação de todos os patrocinadores. Se hoje são seis dias para 24 desfiles, os cálculos dos mais apressadinhos (e assustados) indicavam pelo menos duas semanas de moda. Mas Borges já avisou que a Fashion Week não terá mais que sete dias.
E no primeiro dia de desfiles (serão sempre quatro até o final, que acontece no dia 5), a Equilíbrio deu início à temporada outono-inverno 2001. Na passarela, moda básica para a mulher prática, mas que não perde o glamour e vai poder passear com colete de peles. Os tons escuros predominam e sinalizam para dias mais sisudos (depois de duas temporadas coloridas, o preto volta a dar o tom).
A estilista Márcia Gimenez aposta no rigor nas formas, como as calças, que ela chama de ‘‘quase masculinas’’. O tradicional xadrez escocês surge nas saias e nas echarpes, que aliás ganham destaque na coleção, assim como os acessórios. Nos pés, botas de cano longo, mas de salto baixinho, baixinho.
‘‘Todo orixá é fashion’’, já tinha dito o músico Carlinhos Brown na última temporada, quando fez a trilha sonora (ao vivo) do desfile da M.Officer. Pois o filho de Oxalá Carlos Miele, da M.Officer, pediu licença aos orixás em Salvador e trouxe para o prédio da Fundação Bienal um autêntico ritual de Candomblé, comandado pela mãe de santo Zezita. Apesar de homenagear Iemanjá, Miele não deixou de reverenciar nenhum orixá na coleção Candeal (que também é uma homenagem ao famoso bairro de Salvador).
A cartela de cores é inspirada nos orixás, preto e vermelho (Exu), azul (Ogum), verde, floresta e animais (Oxóssi), amarelo e brilhos (Ogum), pérolas, conchas e branco (Iemanjá), branco e prata (Oxalá). As formas são sinuosas, com muitos vestidos e decotes. O alumínio deixa de ser só prata e surge colorido. Mas a sensação é o novíssimo couro natural com Lycra, desenvolvido em parceria com a Dupont. As peças em couro ‘‘rendado’’ (trabalhado com inúmeros recortes) ganham elogios.
A cidade americana Nashville – reconhecidamente country (seja nas músicas ou nos trajes) e a palavra overdressed (supervestido) ajudam a definir a nova coleção de Alexandre Herchcovitch. O estilista conta que é uma experiência nova, ‘‘que tem a cara do Alexandre Herchcovitch, mas com novas formas, bordados, franjas e strass, misturei tudo que eu gosto sem medo’’, diz.
A cor é o rosa-choque, mas o preto volta de forma ‘‘aprofundada’’. O paetê refletível que surgiu na coleção verão continua no inverno e agora ganha a companhia do tecido de folhas, que imitam grama. Abusado e adorável.
‘‘O meu tempo não é o seu tempo. O meu tempo é só meu’’. Poesia e moda no desfile da Ellus, que convidou Arnaldo Antunes para participar da coleção outono-inverno 2001. Os poemas estampam algumas peças e também fazem parte da trilha sonora (com o próprio Antunes declamando em gravação).
A inspiração é voltada para os anos 80, com os jeans com lavagens ‘‘stonadas’’, para ficarem com cara de usadas. É a matéria-prima para casacos (sempre com amarrações na cintura) e calças cigarretes, que também surgem em veludo. As cores, além do jeans, são o roxo, vermelho e o verde.
Ainda é cedo para fazer apostas? Sim, mas já comece a cuidar da cinturinha de pilão. As modelagens do inverno não vão perdoar os exageros.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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