Parece chavão, mas Isabelle Drummond nasceu para a coisa. Ou seja: viver a boneca de pano Emília, a personagem mais famosa de Monteiro Lobato. A garota de sete anos é tão geniosa e imprevisível quanto a personagem do ‘‘Sítio do Pica-pau Amarelo’’. Durante as gravações, Isabelle só fica quieta realmente quando as câmaras a focalizam. Outro momento de concentração é quando está passando o texto com os colegas do elenco. Fora isso, Isabelle corre de um lado para o outro até ser chamada por alguém da produção. ‘‘Não é só porque comecei a trabalhar cedo que não vou me divertir. Sou uma criança’’, avisa, com ar maroto.
Apesar da pouca idade, Isabelle deixa evidente que já sabe a responsabilidade que é representar Emília. Tanto que, antes mesmo da estréia, a instrutora de dramaturgia Vera Freitas conversou com a pequena atriz sobre as reportagens que falavam o quanto seria difícil uma criança convencer como Emília, personagem que só havia sido interpretada por adultas. ‘‘Sei que disseram que não iria conseguir. Mas estou achando fácil’’, desdenha a garota sapeca. Na verdade, Isabelle ainda está se acostumando com a rotina da profissão. Se não bastasse memorizar o próprio texto, Isabelle não perde a oportunidade de repetir as frases dos colegas quando eles esquecem. ‘‘A Isabelle é a que tem mais texto para decorar. Nem sempre é fácil ela se concentrar, mas geralmente não temos problemas’’, afirma Vera.
Mesmo com mais texto que as outras crianças, Isabelle não se assusta com o volume de trabalho. Pelo contrário. Deixando transparecer uma das características mais peculiares dos artistas, a vaidade, Isabelle garante que gosta de decorar grandes textos. ‘‘Porque apareço mais nas cenas’’, explica, num misto de ingenuidade e esperteza. A franqueza aparente da menina, na verdade, fica ainda mais explícita quando está gravando. Em algumas ocasiões, ela parece esquecer o texto e precisa ser ajudada pela instrutora e pelo diretor da cena. O diretor Pedro Vasconcelos, por exemplo, repete a frase já com a entonação correta para ajudar a atriz. Quando não resolve, prefere não insistir e esperar alguns minutos até Isabelle se concentrar. ‘‘Não estressamos as crianças de jeito nenhum. Quando a cena empaca, peço sorvete e frutas para descontrair’’, afirma o diretor.
Mas foi a própria Isabelle que insistiu para que a mãe, a comerciante Damir Drummond, a levasse até uma agência de modelos infantis quando ela ainda tinha seis anos. Assim que percebeu que a filha levava jeito para a profissão, acabou cedendo. Não demorou para Isabelle ser chamada para participar do filme ‘‘Pop Star’’, estrelada pela apresentadora Xuxa, e fazer uma participação na minissérie ‘‘Os Maias’’, como Rosa, a filha de Maria Eduarda, papel de Ana Paula Arósio. Mas após fazer os testes para interpretar Emília e ser confirmada pela Globo, a mãe de Isabelle ficou receosa. Tinha medo da carga de trabalho, se a filha iria ter alergia da maquiagem ou sentir muito calor com o figurino de Emília. ‘‘Falei tudo isso para ela, mas ela ficou muito empolgada para fazer. Não tive opção e acabei aceitando’’, reconhece a mãe.
No entanto, Damir não deixa que a filha se distancie dos estudos. Isabelle cursa a primeira série da escola pública Jacira Pi, que fica perto de sua casa no bairro de Itaipu, em Niterói, no Rio de Janeiro. Ela estuda pela manhã, almoça em casa e parte com um carro da Globo para as gravações no sítio em Guaratiba. Isabelle diz que adora a popularidade que ganhou na escola, mas reclama quando alguns colegas a chamam de ‘‘Ervilha’’. ‘‘Adoro estudar, só não gosto de matemática’’, ressalva a atriz. Quando não está gravando ou na escola, Isabelle aproveita para reforçar em casa o seu lado artístico. ‘‘Ela adora colocar salto alto e imitar algumas cantoras, como Wanessa Camargo’’, entrega a mãe de Isabelle.

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