Entre os gênios da fotografia
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2006
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Paris- Fazer fotos para uma grande campanha da Guess com as maiores tops da época a seus pés, dirigir Michael Baryshnikov fora do palco, receber grandes celebridades em seu escritório, trabalhar com Helmut Newton e Guy Bordin. Essa foi a rotina de vida de Paul Wagner durante o período que dirigiu a revista Vogue França num período de ouro para a publicação. ''Foi uma fase extraordinária. Nós trabalhamos continuamente com os maiores fotógrafos do mundo Guy Bordin, Helmuth Newton, Irving Penn. Era uma geração que foi muito pulsante, forte com as imagens''.
Ao todo foram 14 anos na Vogue. De 1970 a 1984, os quatro últimos também como diretor artístico. Dessa vivência, muitas histórias peculiares para contar. Como o primeiro contato com Irvin Penn, que ele considerava ''quase'' o primeiro do mundo na fotografia de moda, esse ''quase'' justamente colocado na frase faz justiça aos outros membros da geração genial de fotógrafos. Todos brilhantes e por isso mesmo copiados até hoje por um grande número de seguidores. ''Irvin estava de passagem por Paris, para fazer fotos das coleções de alta-costura, e eu pedi para encontrá-lo. Irvin prontamente me atendeu e marcamos no Hotel Crillon. Bem, bebemos um chá e eu lhe disse que para mim ele era um dos maiores fotógrafos do mundo e que queríamos trabalhar com ele. Era alguém que fotografava extraordinariamente bem não importava o que fosse. Bem, Irvin me disse que não entendia porque eu queria trabalhar com ele, um americano, sendo que eu tinha grandes fotógrafos aqui na Europa''.
A genialidade desses profissionais impressionava Wagner e o levaram a viver grandes momentos ao lado desses nomes. A preocupação de Irvin Penn pelo interesse em seu trabalho tinha fundamento. A Vogue contava com o fotógrado Guy Bordin em seu time de contratados. O francês era um poeta da fotografia. Alguém que impressionou Wagner pela maneira como trabalhava. ''Ele tinha um olho excepcional. Quando andávamos na rua dizia: você viu? E eu respondia que não. Uma vez fomos à Normandia para procurar um lugar para fazer fotos. Para guardar o lugar, Guy levava um livro de poemas e imediatamente fazia uma associação de um texto com a imagem. Depois pegava o livro e dizia: lá eu encontrei tal coisa... extraordinário...''
Foi nesse tempo que Wagner começou a fazer suas fotos. Ao voltar de finais de semana encontrava Guy que lhe pedia para ver as imagens. ''Tive o melhor professor do mundo'', ri. A amizade e o clima livre no trabalho fez com que Guy utilizasse Wagner como figurante de suas fotos certa vez. Depois disso, o diretor artístico serviu de modelo junto a grandes modelos como Carla Bruni para uma campanha da grife Guess. Wagner e modelos foram fotografados em momentos de flagrante. Numa imagem uma das lindas mulheres senta em seu colo, em outra se joga numa fonte de água num monumento de Paris. Vida difícil.
As lembranças de pessoas geniais que passaram pela redação da Vogue França são inúmeras. Para ter sempre edições feitas acima da média da criação e não viciar com sempre os mesmos editoriais, eles chamavam grandes nomes de outras áreas para dirigir tudo. Assim foi com o diretor de cinema Roman Polanski e o bailarino russo Michael Baryshnikov. Trabalhando com eles à frente da edição, a revista ganhava em ousadia, ainda mais com o time de fotógrafos que tinha. O resultado eram edições que viraram referência mundial de um trabalho avant-garde perfeito no mundo da moda. Desse jeito, a revista era mais que uma publicação popular, apesar de 300 páginas magnifícas. Era um 'ivro de imagens' feitas por grandes fotógrafos que viravam referência para o mundo todo.
Uma outra característica desse trabalho, segundo Wagner, era a liberdade. Não havia interferência da redação no que estava sendo criado pelos fotógrafos. Claro. Eram gênios e eles mesmos coordenavam todo o trabalho de produção o que garantia editoriais incríveis. Passado o tempo de Vogue, Wagner foi morar no Tahiti e lá desenvolveu o trabalho com fotografias. Hoje trabalha com imagens e viaja pelo mundo para fotografar grandes hotéis. As fotos obviamente são especiais. Afinal, ele fez escola.
Entrelinhas
Paul Wagner nasceu e foi criado Paris
Foi por uma paixão que ele deixou a Vogue e foi morar no Tahiti. Wagner se casou com uma miss e abandonou o glamour da redação para viver ao lado da amada.
Alguns anos mais tarde foi chamado novamente para trabalhar na Vogue. Não aceitou e não sabe explicar porque.
Ela acha que atualmente as revistas de moda francesas como Vogue e Elle perderam o cunho artístico e viraram publicações extremamente comerciais.
Para chegar ao ponto de ter vivido essa grande experiência, Wagner estudou antes na Escola de Belas Artes de Paris, onde tem menção por seu talento.
Além da Vogue França, ele também fez a Vogue Hommes (editorial e layout), Marie-Claire, Lui, Adam, Votre Beaute.
Paul Wagner ainda dirigiu artisticamente as campanhas da Podium e Absolu mais a revista da Negresco em Nice.
Atualmente, ele desenvolve em Paris um projeto de fotonovela. A revista está sendo projetada e vai trazer de volta uma mania do passado. So que agora com um cunho adulto e picante, não pornô.


