Curitiba - Um ecologista convicto, apaixonado por motos e, mais ainda, por viajar sobre duas rodas, de preferência para lugares bem longe, que garantam bastante tempo na estrada. Mas como a vida não é feita só de lazer, a escolha do ofício que garante o pão de cada dia - e as contas das viagens - é também fruto de outra grande paixão do médico homeopata Clodoaldo Turbay Braga: tentar compreender o ser humano.
''A compreensão do ser humano é a coisa mais bonita na medicina. Na medicina em geral não é preciso conhecer o paciente para receitar um medicamento, já para atacar a causa da doença, precisa. Por isso, o que eu mais gosto na homeopatia é que a base de qualquer terapêutica é justamente a compreensão do ser humano. É um assunto fascinante, amplo, que não vai acabar nunca'', diz Clodoaldo que, apesar de toda essa certeza atual, demorou um pouco para achar seu caminho na medicina.
Natural de Marialva e criado em Terra Boa e Cianorte, só se mudou para Curitiba na época do vestibular. Formado em Medicina, optou a princípio pela cirurgia, área em que trabalhou por 15 anos em Foz do Iguaçu, até descobrir a homeopatia. ''Vim fazer um curso em Curitiba. Gostei tanto que acabei me mudando para cá'', conta. ''Na minha cabeça, já nasci homeopata, mas eu não sabia. Queria algo natural, pouco agressivo e com bons resultados'', justifica.
Quem vai a seu consultório acaba conhecendo também um outro lado da vida dele, o de pai. É que um de seus filhos, Clodoaldo Júnior, 31 anos e Síndrome de Down, ajuda no consultório. No consultório, o filho atende o telefone e os pacientes quando a secretária sai. ''Ele vai para a balada com os primos, dança muito bem. Tem um vida praticamente normal, sem falar no lado afetivo dele que é muito pronunciado'', conta o pai coruja, que tem mais duas filhas, Marcela e Marília.
O filho, aliás, compartilha a paixão do pai pelas viagens de moto. ''Estar na estrada de moto é fundamental na minha vida'', conta Clodoaldo, que há 32 anos enfrentou a estrada com duas rodas pela primeira vez, e nunca mais parou. Duas grandes viagens ganharam as páginas de livros. ''Caminhos da Grande Cordilheira'' conta a aventura vivida em 1996, quando ele e mais quatro amigos percorreram 15 mil quilômetros em 35 dias até a última cidade do mundo antes do Pólo Sul: Ushuaia, na pontinha da Argentina. Um ano depois, ele e um amigo viajaram 34 mil quilômetros até a última cidade alcançável por estrada antes do Pólo Norte: Prudohe Bay, história que ele conta em ''Alaska - Além do Círculo Polar Ártico''.
''É uma viagem perigosíssima, mas também transcendental porque significa muito para o auto-conhecimento'', diz. ''Só encontro sentido da vida em lugares muito isolados, muito remotos. É uma experiência tão linda do ponto de vista do auto-conhecimento'', avisa. Seus planos, agora, envolvem mais viagens. Em um futuro próximo, quer retornar à Carretera Austral, no Chile. ''É lindo demais, remoto, selvagem'', garante Braga.. Mais para frente, ele sonha com uma viagem ainda mais remota, cruzar a Transiberiana, da Rússia à Sibéria e voltar pela Rota da Seda, na China. Sempre de moto, é claro.

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