Conhecida por interpretar grandes papéis na televisão e no cinema brasileiro, a atriz Letícia Sabatella, 40 anos, se destaca no cenário artístico nacional.
Além da carreira profissional de sucesso, a preocupação com causas sociais, políticas e ambientais marca a sua trajetória. Natural de Belo Horizonte, atualmente reside no Rio de Janeiro, mas sempre que pode está no Paraná para visitar familiares em Curitiba, Ponta Grossa e Londrina - a atriz morou na capital paranaense dos 4 aos 20 anos de idade; seus pais e o único irmão ainda vivem em Curitiba.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, simpática e muito serena, Letícia afirmou que tem grandes ídolos no Estado, que são amigos e pessoas da família. ''São referências na minha vida profissional e pessoal'', disse ela, que esteve em Londrina no último final de semana para apresentar, no Congresso Nacional de Responsabilidade Socioambiental - promovido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná (ABTD-PR) - o documentário Hotxuá, sobre a tribo indígena Krahô, de Palmas (TO). É o seu primeiro trabalho como diretora. Letícia atuou em parceria com o diretor de fotografia Gringo Cardia.
Frequentemente, a atriz participa de reuniões com autoridades e discussões sobre direitos humanos. Ela já viveu em tribos indígenas e com integrantes do Movimento Sem Terra. Em 2007, visitou o bispo Dom Luís Cappio em Sobradinho (BA) para apoiá-lo na greve de fome contra a transposição das águas do Rio São Francisco. Posiciona-se contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, construída no Rio Xingu, no Pará.
Quanto ao documentário Hotxuá, ela disse que inicialmente não pensou em atuar na direção. ''Fui estudando muito sobre o assunto enquanto buscava alguém para dirigir o trabalho. Até que uma produtora me falou que eu tinha todas as ideias, todo o roteiro e que deveria fazer isso'', lembrou Letícia.
A atriz definiu o encontro com os índios krahôs como algo absolutamente transformador. ''São 16 anos de contato e parceria com eles. Esse documentário, para mim, é como se fosse um trabalho de conclusão de curso. É como se eu tivesse me formando em uma faculdade'', pontuou.
Para Letícia, todas as causas que já apoiou foram marcantes. ''O que me impulsiona a fazer tudo isso são as diferenças sociais. Sempre me incomodei com essa realidade. Quando criança, se eu tinha uma boneca e via uma criança sem nada na rua, a minha boneca perdia a graça'', destacou.
Questionada sobre a sua influência sobre a sociedade pelo fato de ser uma pessoa pública, Letícia disse esperar que a sua prática sirva de exemplo para que cada indivíduo faça o que pede a sua consciência. ''Cada um deve fazer as coisas do seu jeito e ao seu tempo. Mas quando a pessoa sente que deve fazer alguma coisa, tem que ir atrás, pois isso traz paz de espírito'', acrescentou, garantindo que nunca pensou em se candidatar a nenhum cargo político. ''O que eu acho importante é lutar pelo direito de ser cidadão. Espero que isso não se perca. Nós já saímos da ditadura, mas se não exercermos esse direito vamos voltar para esse tipo de regime.''
Sobre a sua ligação com a política, a atriz deixou claro que nunca foi vinculada a nenhum partido. ''Sempre me vinculei a causas sociais'', disse, justificando que o apoio ao então cadidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, aconteceu pois naquela época gostaria de ajudar a produzir uma mudança de paradigma entre os brasileiros. ''Mas ainda temos que correr atrás dessa mudança'', deixou no ar.
Trajetória
O jeito ''zen'' Letícia traz da infância em Minas Gerais. ''Meu pai é engenheiro e ajudou a construir a usina de Volta Grande. Nessa época, tive um contato muito forte com a natureza'', contou. ''Minha mãe sempre nos levou para fazer passeios pela mata. A gente cultivava plantas e levava bichos para casa. Eu cheguei a cuidar de gambás e cobras.''
O interesse pelo meio ambiente começou cedo. ''Vivia perto da represa e da floresta. Meu pai é uma pessoa muito zen, que sempre transmitiu um espírito ecológico de forma natural, demonstrando amor pelos bichos, pelas pedras'', explicou, destacando que sempre encarou a natureza como uma coisa muito preciosa. ''É engraçado porque eu tenho algumas cicatrizes de criança, mas sempre me machuquei em laje, piscina e asfalto. E nunca me machuquei na mata'', observou.
A história de Letícia com o Paraná começou quando mudou-se com a família para a capital, onde seu pai teve uma nova oportunidade de emprego. ''Minha formação é paranaense. Foi em Curitiba que estudei, fiz ópera, curso de teatro. O quintal da casa da minha avó era o Teatro Guaíra. E o da outra avó era uma fazenda. Sempre transitei entre esses dois mundos'', disse a atriz, que chegou a cursar dois anos de faculdade de teatro, mas trancou a matrícula porque foi chamada para o trabalho que a lançou no cenário nacional, o especial ''Os Homens Querem Paz'', exibido pela Rede Globo, em 1991.
Desde então, já deu vida para inúmeros personagens na televisão e no cinema. Participou de muitas novelas e séries. A sua última participação na TV aconteceu recentemente no episódio ''A apaixonada de Niterói'', na série ''As Brasileiras''.
Contratada pela Rede Globo, Letícia não tem nada confirmado na televisão, mas adiantou que existem propostas. Outra paixão que ela não esconde é pela música, tanto que ainda pretende realizar um trabalho autoral no teatro para unir atuação e música.
Para driblar a agenda profissional atribulada e ainda dar conta de seus compromissos pessoais, a atriz busca se equilibrar. ''Eu busco constantemente o equilíbrio, mas não sou mestre nisso. Acabo me desequilibrando, pois tenho os nervos à flor da pele. Tento dosar o meu lado atriz, que tem uma faceta dionisíaca e de muita emoção, com uma prática que me dê constância e pés no chão.''
Ela considera importante manter uma dieta equilibrada, mas admitiu que nem sempre é possível. ''Procuro levar uma vida saudável, mas tem dias em que tenho que varar a madrugada trabalhando e aí me alimento como posso. O fato de ter sido vegeteriana durante quatorze anos me ensinou a comer de forma mais adequada'', disse.
Uma pessoa que ajuda a atriz na busca pelo equilíbrio é a sua filha Clara, de 19 anos. ''Ela é um sonho, uma fonte de sabedoria e de troca de experiências. É muito madura. Eu dou mais trabalho para ela do que ela para mim'', brincou.
Clara é fruto da relação de 12 anos da atriz com o ator Ângelo Antônio.
Em 2009, ela namorou o também ator André Gonçalves. Atualmente mantém um relacionamento a distância. ''Estou namorando e ele é de São Paulo'', limitou-se a dizer sobre o assunto.

mockup