Samuel de Oliveira é administrador de empresa por formação e vocação, mas foi ''capturado'' pelo trabalho humanitário - não o da retórica, mas o da transformação. Aos 32 anos, já participou de quatro missões humanitárias, todas elas integrando a equipe do Médicos Sem Fronteiras, organização médico-humanitária internacional independente, comprometida em levar ajuda e cuidados médicos às pessoas que mais precisam.

O primeiro trabalho como voluntário foi em 2007, no Zimbábue, país da África Austral que agoniza entre a cólera, a fome e a tirania de uma das mais antigas e violentas ditaduras do mundo. Samuel passou doze meses naquele país, trabalhando no setor administrativo da ONG.

''Foi a primeira experiência e completamente estranha. A convivência com a ditadura, o governo secreto nos vigiando, ameaças o tempo todo. Foi um momento em que passei fome, medo e muita saudade da família, passei meses sem me comunicar com meus pais. Não havia energia elétrica, sofri um atentado'', relembra Samuel, que atualmente dirige uma empresa de próteses ortopédicas em Londrina e mantém o trabalho voluntário como atividade secundária.

O londrinense destaca que antes de ingressar em um projeto os voluntários passam por vários treinamentos. ''Em primeiro lugar, é preciso falar no mínimo duas línguas e ter experiência profissional no setor em que vai atuar. Passamos por testes de liderança, sensibilidade, cultura. Depois seguimos para a Noruega, onde ocorrem os treinamentos de sobrevivência, sempre feitos nas condições que iremos encontrar no país de destino. Quando se chega no local de trabalho, você tem dois dias de imersão na cultura. Uma pessoa da organização te explica tudo sobre o país'', conta.


Leia mais na entrevista de Elaine de Souza exclusiva para assinantes da FOLHA.[/link]

mockup