Aos 20 anos, Hans Muller Correia Ribeiro tem exatamente 20 tatuagens espalhadas pelo corpo. Mas apesar da coincidência com a idade, o número só passou a ser contabilizado há cerca de dois anos, quando foram riscados os primeiros traços na sua pele. Desde então, o universo dos tatuadores vem fazendo parte da vida de Ribeiro.
"Não, não tenho o dom para ser um tatuador", acredita. Por outro lado, ele tem a veia empreendedora pulsante. No ano passado, lançou o site Tattoo Paraná, uma iniciativa de reunir em um mesmo endereço todos os tatuadores do Estado. Ribeiro estava em busca de um profissional quando percebeu que faltava um catálogo com o trabalho dos tatuadores de Londrina. "Vi que não tinha um lugar só para juntar todo mundo. Fiquei de março até agosto para fazer o site e lancei como um salto do Lab X, que é um programa da Fundação Estudar."
"Em dois dias de site a gente estava com mais de 300 mil visualizações", lembra. Desde então, Ribeiro conseguiu catalogar 112 tatuadores do Paraná e já se prepara para o próximo passo. "Após o Carnaval lanço o novo site, o True Ink, com tatuadores de Santa Catarina também", avisa.
"Quando lancei o site vi que ele era estático, que teria aquele boom inicial de visualizações, mas depois pararia porque não gerava novo conteúdo. Foi quando tive a ideia dos documentários", conta. Novamente ele empreendeu e saiu para gravar as histórias de tatuadores.
"Fui ao estúdio de um amigo tatuador, o Ricardo Garcia, e perguntei se podia filmar o trabalho dele. Foi legal que ele me apresentou outras pessoas, como o Carlos Fofão, que já trabalhava com isso e está me ensinando a filmar", diz Ribeiro. Fernanda Zeferino completa o quarteto, que tem o próprio Garcia como colaborador. "Ele faz a edição", explica.
Nascido em Conceição dos Ouros (MG), Ribeiro se mudou para Londrina em 2010. "É uma cidade de 10 mil habitantes, não tinha muito o que fazer lá, não tinha opção de estudo", explica. "Em 2009 vim visitar a minha irmã por parte de pai, que já morava aqui, e gostei da cidade", conta. Pensando na carreira profissional de Ribeiro, a família inteira se mudou.
Os mais velhos e os apaixonados pela história do futebol podem ter ficado curiosos com o nome de Ribeiro. E é isso mesmo. O nome Hans Muller é uma homenagem paterna ao jogador alemão, que atuou nas Copas de 1982 e 1986. Poderia até ter se chamado Rummenigge, se um amigo do pai não tivesse se apropriado da ideia e batizado o filho primeiro.
Curiosidades futebolísticas à parte, Ribeiro ainda tem o inusitado da sua escolha universitária. "Estou no último ano de Ciências Contábeis", avisa. "Mas não sei o que a vida tem pela frente", adianta o estudante, já imaginando que não deve seguir o rumo dos números. "Estou gostando muito de fazer os vídeos, mas ainda tenho muita coisa para aprender."
"O bacana do documentário é que não estou fazendo só com tatuadores. Estou fazendo com pessoas que têm influência nesse meio da tatuagem, como a (cabeleireira e maquiadora) Dani Gomes, do Rainha de Copas. Ainda tem muito preconceito com tatuagem e atrapalha um pouquinho. O objetivo dos vídeos é humanizar isso, mostrar a história de cada um, trazer para o dia a dia, que é para humanizar mesmo", explica.
Já foram ao ar dois vídeos no canal do YouTube. "Solto um por mês porque é muito trabalhoso fazer", conta Ribeiro. Ele e a equipe costumam acompanhar todo o processo de uma tatuagem. "Faço uma pequena entrevista também", explica. "Londrina tem bastante artista bom e em bastante estilos diferentes, dá para escolher o artista certo do seu estilo."
De acordo com Ribeiro, as reações dos tatuadores com relação ao site foram bem diversas. "Tem uns que não dão a menor atenção", lembra. "Mesmo assim eu tenho que colocar no site, porque é essa a ideia de um catálogo, colocar todo mundo em um lugar só." Por outro lado, há os profissionais que fazem valer a reciprocidade e ajudam a promover o site. "A gente divulga o trabalho deles e eles o nosso."
"Por enquanto é só hobby, ainda não ganhei nada", relata Ribeiro, que conseguiu viabilizar passagens e estadia para a equipe nas duas viagens que fez para Curitiba. E é para a Capital que ele deve seguir quando conquistar o diploma. "Ainda tem muita gente para entrar no catálogo", diz Ribeiro, que se surpreendeu com profissionais que descobriu em Cascavel e em Rolândia. "Nas cidades pequenas, é mais difícil encontrar os profissionais. Demora mais. Em Curitiba, você conversa com uma pessoa e ela indica cinco. Esse censo é o mais trabalhoso", afirma.

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