A exemplo de tantos outros profissionais de sua área, Willyan Nazima escolheu a medicina com um único intuito: salvar vidas. Formado há 10 anos pela Universidade Estadual de Londrina, com apenas 34 anos de idade já está na linha de frente dos mais conceituados médicos que integram a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Em uma década de profissão, Nazima se especializou em diversos assuntos. O primeiro a lhe chamar atenção foram os estragos que o cigarro causa na vida das pessoas. Hoje, Nazima é um dos poucos médicos brasileiros membros da Attud (Association for the Treatment of Tobacco Use and Dependence), uma das principais organizações dedicadas à promoção e maior acesso ao tratamento com base em evidências de tabaco para o usuário no mundo.
''As doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo. Quando comecei a atender, vi que o cigarro era a causa de milhares de mortes. Tratar o tabagismo de forma efetiva é muito difícil. E sentia que precisava cada vez mais estudar este assunto. Fiz alguns cursos, entre eles sobre dependência em nicotina da Mayo Clinic, considerada uma das melhores clínicas de serviços médicos dos Estados Unidos e referência em tratamento de tabagismo. Ajudei na formação do Programa de Tratamento de Tabagismo da Unimed, que tem tido resultados excelentes. O que mais me deixa feliz hoje é ver que estamos em uma fase em que quanto mais pessoas param de fumar, mais elas estimulam outras a pararem também'', diz ele.
Outro assunto que despertou o interesse do jovem médico foram as emergências cardiológicas. O aprofundamento no tema resultou no livro Teca - Treinamento em Emergências Cardiovasculares -, tendo como coeditores o também médico cardiologista londrinense Manoel Canesin e Sérgio Timerman, do Incor-USP.
A obra, lançada em setembro, é considerada inovadora e chamou tanto a atenção dos profissionais de medicina, que se tornou base para o treinamento do curso oficial da Sociedade Brasileira de Cardiologia em emergências cardiológicas em todo Brasil e passou a ser utilizada, recentemente, pelo Ministério da Saúde para o treinamento de médicos de toda rede pública brasileira.
''O livro foi consequência de um grande trabalho e levou seis meses para ficar pronto. Tem a edição básica e avançada. Através do que ensina a obra, estamos capacitando médicos em todo Brasil para serem instrutores. Fechamos um treinamento com o Ministério da Saúde, com uma verba de R$ 3 milhões, para capacitar de 2,5 a 3 mil profissionais. Isso vai mudar a realidade do Brasil'', acredita.
Antes do trabalho elaborado pelo profissional londrinense, havia apenas um curso da American Heart Association que treinava médicos para este tipo de emergência. O Teca, segundo Nazima, possui muitas diferenças, já que é algo mais amplo e customizado para melhorar a realidade brasileira.
''Ele é único porque envolve de uma forma mais aprofundada o tratamento adequado das situações que antecedem a parada cardíaca e os cuidados que o paciente precisa receber depois que recupera a circulação espontânea, para aumentar as chances de receber alta hospitalar com função neurológica preservada'', descreve.
Coordenador dos cursos do Centro de Treinamento Hutec-UEL, Nazima também é um dos precursores de uma técnica que tem tudo para salvar milhões de vida, a Hipotermia Terapêutica (HT).
Primeiro médico brasileiro certificado em HT, uma técnica de resfriamento pós-parada cardíaca que vem apresentando ótimos resultados na recuperação de pacientes que sofreram uma parada cardíaca e que evoluem com alteração do nível de consciência, o londrinense foi o único médico do Brasil a participar do curso de hipotermia terapêutica, realizado no mês passado, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, e ministrado por Benjamin Abella, um dos nomes mais respeitados da reanimação cardiopulmonar daquele país.
''Na HT o paciente com parada cardíaca tem seu corpo resfriado a uma temperatura entre 32 a 34 graus em uma única sessão que pode durar de 12 a 14 horas. É o único tratamento cientificamente comprovado capaz de reduzir complicações neurológicas da parada cardíaca e que possibilita maior chance de recuperação neurológica ao paciente'', comenta.
Vale ressaltar que no Brasil os custos elevados dos equipamentos e a falta de profissionais capacitados são os principais entraves que dificultam o emprego da hipotermia terapêutica.
Dando palestras em todo Brasil e recheando seu currículo com vários cursos ao redor do mundo - o último deles em Estocolmo, na Suécia -, Nazima se orgulha de Londrina hoje ser um centro de destaque em cardiologia no País.
''Londrina hoje é vista como uma cidade de referência de capacitamento. O número de profissionais treinados é grande. Há vários fatores que colaboram para que o paciente tenha um bom e rápido tratamento. Mas há muita coisa a melhorar, principalmente no que diz respeito a uma organização efetiva.''
Casado, pai de uma filha e também especialista em Terapia Itensiva (UTI), ele é ciente de que os resultados de tratamentos cardiológicos são conseguidos - também - por meio da cardiologia preventiva, ou seja, tratar o paciente antes que a doença aconteça.
''O brasileiro se preocupa pouco com a prevenção. É preciso ter o controle dos fatores de risco. Quando não for possível prevenir, é preciso tratar as pessoas que se tornam doentes. Aí a necessidade de profissionais bem preparados, hospitais bem equipados. A cardiologia, assim como outras áreas, é heterogênea no Brasil, ou seja, lugares com nada e outros sendo de excelência com todas as tecnologias possíveis. Me orgulho de Londrina oferecer um serviço de qualidade'', conclui.

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