Em ritmo de festa
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de março de 2004
Rodrigo Teixeira<br>TV Press 
Mesmo após décadas de tevê, Hebe Camargo jura que ainda sente o frio na barriga típico dos principiantes. E garante estar bastante nervosa por comandar o programa que vai comemorar os seus 18 anos de SBT e 60 anos de carreira. O especial Hebe por Hebe 18 anos com o SBT é também uma maneira de Silvio Santos afagar o ego da apresentadora. Isto porque Hebe tem contrato com a emissora até dezembro e não esconde de ninguém que foi sondada por várias emissoras de tevê, principalmente a Record. Mas devo renovar com o SBT, até porque o Silvio Santos já mandou avisar que não quer esperar até dezembro, afirma a apresentadora de 75 anos.
Poucas vezes o SBT produziu um programa nos moldes do Hebe por Hebe. O especial será exibido ao vivo amanhã, às 22h30, diretamente da casa de espetáculos Sala São Paulo, e terá duas horas e meia de duração. A festa terá direito a tapete vermelho e à transmissão de flashes nos programas que antecedem para mostrar os preparativos e a chegada dos convidados. Entre os nomes confirmados estão Paulinho da Viola e a cantora inglesa Sarah Brightman, que já vendeu mais de 15 milhões de discos.
Estou morrendo de medo. Neste especial, vou receber artistas que admiro e sei que vêm muitas surpresas pela frente. Meu coração é forte, mas não sei até que ponto, e posso cair dura em frente às câmaras. Ainda fico nervosa, mesmo com tantos anos de estrada. Mas não vou decepcionar o público, que me acompanha há tantos anos, e nem a minha equipe, em quem confio muito. Ela revela que antes comparecia semanalmente às reuniões de pauta, mas hoje já não precisa mais, pois é informada de como será o programa. O certo é que vou ser eu mesma neste especial, como sempre fui. Não interpreto um personagem em meu programa.
Ao ser questionada sobre uma possível saída do SBT, Hebe confessa que, quando Sílvio Santos ficou sabendo que ela tinha conversado com a Record, mandou uma carta maravilhosa. Chorei quando acabei de ler e coloquei a carta em um porta-retratos. Falei para ele que havia a proposta da Record, mas jamais usaria isso para elevar o valor do meu passe. Não gosto de mentira. Ele sabe que, na Globo, não tenho chance, porque eles não me convidam nem para os programas porque acham que vai aparecer SBT escrito na minha testa. Mas o Silvio não quer esperar para renovar o contrato só em dezembro, quando ele acaba, e acredito que vou ficar no SBT mesmo.
Sobre a preocupação com números do Ibope, a apresentadora diz que tenta não entrar nessa guerra. Mas é claro que, se abaixar muito, é prejudicial porque pode-se perder anunciantes. O que Hebe não gosta na tevê atualmente são os programas de fofocas e devassa da vida alheia. Sei que o público gosta disso, mas é preciso impor limites. Às vezes, faço uma ou outra pergunta mais provocante, mas é sempre com muito respeito.
Na opinião dela, os profissionais de tevê precisam ser bem mais responsáveis porque, nas últimas décadas, se tornaram exemplos para o público, enquanto que, antigamente, a tevê ainda era bastante amadora e sofria preconceito de muitos setores da sociedade. Em termos de tecnologia, a tevê melhorou, mas é preciso cuidado para não perder a naturalidade.
Hebe reconhece que não pode querer mais nada em termos de realização profissional porque chegou mais longe do que imaginava. Vim de família humilde. Adoraria dizer um boa-noite! e cair dura no auditório porque tudo que conquistei devo ao trabalho. Tem gente que diz que treme quando está perto de mim e acho até graça. Sou igual a todo mundo.


