Em nome do alumínio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Karla Matida<br> De Londrina 
Ele mora em Londrina há cinco anos e meio, mesmo tempo que elegeu o alumínio como matéria-prima básica para suas criações. Mas foi só há cerca de três anos, que o artista Sarquis Samara iniciou sua incursão pelo vasto mundo dos utilitários e objetos de decoração. De lá para cá foram criados mais de 1.500 itens para casa, escritório, hotelaria, lembrancinhas de casamento e brindes de empresa. O alumínio, é claro, é a vedete do negócio, mas vidro, madeira, cristal também aparecem em belas combinações.
Para Sarquis, a novidade, surgida em março deste ano, são os pequenos móveis criados em parceria com a mulher, a arquiteta Marilúcia Dal'Ross. ''Fui participar de uma feira de móveis em Gramado e me senti na obrigação de levar algo diferente'', explica Sarquis, que produz pufes em chenile e mesinhas do tipo ninho.
Nas suas participações em feiras de móveis, hotelaria e a badalada Gift Fair, em São Paulo, o artista vem colecionando clientes pelo Brasil todo, até no exterior. ''99% das minhas vendas é feita fora de Londrina'', explica Sarquis, que tem peças exportadas para os Estados Unidos e Portugal. Aliás, no mês que vem, em parceria com uma empresa de cama, mesa e banho paulistana, o artista estará participando de uma feira em Portugal. Por lá, irá expor de porta-guardanapos a mesinhas de cabeceira.
Apesar de produzir peças em larga escala, Sarquis não perde de vista o lado escultor e criador. ''Quando vou para feiras, eu e a minha equipe ficamos até dois dias sem dormir'', conta o empresário, que tem 32 funcionários e uma necessidade urgente de um espaço maior devido ao volume de produção.
Com cursos de especialização em fundição na Itália, ondem morou por três anos e meio, Sarquis Samara nunca chegou a fazer aulas sobre utilitários. ''Sou auto-didata, mas uso as minhas noções de estética e toda a minha experiência'', explica o artista, que trabalha com escultura desde 88. ''Antes do alumínio, usava o bronze, mas enjoei'', lembra Sarquis, que ensina que o alumínio também é mais fácil de trabalhar que o bronze. Na Itália, teve contato também com mestres franceses e ingleses, e cita o nome da escultora Helena Hasbee, que, segundo Sarquis, conheceu Camille Claudel.
Encantado com a novidade dos pequenos móveis, o empresário planeja trabalhar com inox e aumentar a produção com vidro. Os quadros também ganham destaque na criação de Sarquis. Ao combinar alumínio fundido e madeira, o artista tem criado quadros temáticos: drinques, esportes, peixes e dinossauros. ''E estou lançando uma linha mais sensual, para o quarto, com calcinhas e luvas'', conta o artista. Para cozinhas e restaurantes, a opção é a linha de conchas e colheres em tamanho maior. Entre os clientes dos quadros, redes de hotéis compram em quantidade para decoração de lobbies e quartos.


