Iara Lessa
Especial para a Folha Gente
O dia parece ter mais horas para o londrinense Ricardo Kenji Nakama. Este jovem ortodontista, que acaba de voltar a Londrina depois de tornar-se mestre-especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, em Araraquara, está sempre em busca de novos projetos, novos desafios.
Filho de uma tradicional família de dentistas da cidade, Luiza e Roberto Nakama, Ricardo é o mais velho de quatro filhos. Ele conta que seguir a carreira dos pais não foi sua primeira opção. ‘‘Prestei vestibular para Medicina e entrei. Comecei a fazer o curso, mas estávamos no boom dos dekasseguis, e viajar e conhecer o Japão fazia parte dos meus planos’’.
Planos que Ricardo, na primeira oportunidade, colocou em ação. Um escritório japonês abriu testes em Londrina para requisitar pessoal. Melhor do que a encomenda. Ricardo saiu do Brasil com emprego arrumado, passagem devidamente financiada, enfim, tudo bem combinado.
‘‘Era a chance de conhecer a terra dos meus avôs. Muita gente achou estranho, eu estava largando a medicina para trabalhar na linha de montagem de uma indústria. Trabalho braçal mesmo. Mas isto é bobagem. Trabalho é trabalho, não se deve ter nenhum tipo de preconceito em relação a isto. Além do mais, meus pais estiveram sempre do meu lado, e era uma aventura incrível’’, lembra entusiasmado.
Ricardo trabalhou e viajou durante todo o ano que esteve no Japão. Na fábrica, a Jacto Corporation, Ricardo trabalhava com a montagem da transmissão de câmbio e, nas horas vagas, se entregava à contemplação do monte Fuji. Quando tinha uma folga maior, aproveitava para viajar a outras cidades. Acabou conhecendo as principais cidades japonesas. Apaixonou-se por Tóquio mas acabou voltando para Londrina, sua outra grande paixão, ao final de um ano.
Além de novas experiências, Ricardo retornava também com novos planos. Largou a faculdade de medicina, prestou vestibular para odontologia, passou. ‘‘Voltei com a certeza de que odontologia era a opção certa para a minha vida. Mas quando comecei a fazer o curso achei que faltava a participação mais efetiva dos alunos. Então, logo no primeiro semestre já me envolvi com o Centro Acadêmico’’, relembra.
Detalhe: Ricardo foi escolhido representante de turma pela primeira vez, quando estava na 5ª série, ainda no Colégio Marista. Desde então, sempre desempenhou a função de líder entre os estudantes.
Função que rendeu elogios e alguns desafetos. ‘‘Éramos jovens, estávamos com vontade de mudar. Logo de cara substituímos o trote tradicional pelo trote cultural. Isto foi uma novidade na época. Depois, acho que ganhamos confiança, resolvemos mexer no currículo do curso’’, conta. A ousadia não foi em vão. ‘‘Na época, a discussão era girava em torno do aumento ou não do tempo de duração do curso de odontologia. Nossa proposta era que o curso tivesse cinco anos de duração, e acabamos ganhando’’, diz. Resultado que Ricardo atribui principalmente à articulação dos alunos.
Aliás, foi nesta época, de agitos estudantis e embates filosóficos, que Ricardo entrou em contato com a informática. Uma da ferramentas que este jovem ortodontista mais gosta de aplicar em seu trabalho cotidiano.
‘‘Tentei colocar em prática algumas técnicas de marketing que vi no Japão. Uma delas era enviar, para cada aluno do curso, uma carta convidando para as reuniões do Centro Acadêmico. Então, sentava no 286 do consultório do meu pai e imprimia nome por nome dos alunos no convite personalizado. Acho que pesava receber um convite nominal e a frequência nas reuniões aumentou bastante. Como a idéia era minha, eu executava e acabei aprendendo muito sobre informática’’.
O experiência rendeu a Ricardo a possibilidade de desenvolver dois softwares, que ele acabou aplicando em sua carreira. Tanto que seu último trabalho nesta área, o Orthosoft, um programa de gerenciamento de clínicas odontológicas, foi o tema da tese de mestrado de Ricardo. O programa, que é utilizado na Clínica de Pós-Graduação de Faculdade de Odontologia da Unesp, em Araraquara, está prestes a ser utilizado no curso de pós-graduação da Baylor University, no Texas.
Sempre ativo, Ricardo, que nas horas vagas ainda arruma um tempinho para caminhar com a esposa, a também ortodontista Fabiana Tomie Sato, pelo Zerão, ou então para tocar um pouco de violão (ele adora música popular brasileira), acredita que um boa idéia vale a penar ser executada. ‘‘É preciso estar atento às oportunidades que a vida lança para gente. Podemos mudar muita coisa ao nosso redor, basta dedicar-se e acreditar. O resto é consequência’’.Novas experiências fazem parte do cotidiano deste dentista que já foi peão e entende bastante de informática
Paulo WolfgangRicardo Nakama: o Orthosoft, software por ele desenvolvido, está prestes a ser utilizado no curso de pós-graduação da Baylor University, no Texas

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