Em busca das raízes
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Carmen Kley De Londrina 
Os avôs do italiano Rino Domenico Bortot e da brasileira Zenaide Bortot Oliveira eram primos. O dele, permaneceu na Itália; o dela, imigrou para o Brasil. Tanto tempo depois, se encontraram. Rino veio ao Brasil, com um grupo de pessoas da província de Treviso, próximo a Veneza, e de outras da mesma região que emigraram para o Canadá. O objetivo: conhecer italianos e descendentes, procedentes daquela área, que hoje moram no Rio Grande do Sul. Aproveitou a viagem e passou por Londrina, onde conheceu a prima distante e a família dela.
Essa história começou no início dos anos 90, quando a professora aposentada Zenaide Bortot Oliveira leu, na Folha do Paraná/Folha de Londrina que os descendentes de italianos poderiam requerer dupla cidadania. Como meu sobrenome era grafado Bortotti, não conseguia encontrar parentes na Itália, explica Zenaide. Ela percorreu consulados e associações ítalo-brasileiras, em vão. Até que um dos seus filhos encontrou diversos sobrenomes Bortot numa lista telefônica italiana. A professora enviou uma carta a um deles primo de Rino Bortot e logo se estabeleceu o elo familiar. Depois disso, via judicial, ela passou a usar o sobrenome de origem.
O primeiro contato visava apenas a obtenção de documentos para a dupla cidadania. Depois disso não nos correspondemos mais porque não falo ou escrevo italiano e a comunicação ficava difícil, conta Zenaide. Enquanto isso, Rino, técnico em telecomunicações da Siemens, que por conta do trabalho já havia viajado pelo mundo, ficava imaginando como viveriam os descendentes de seus conterrâneos que entre 1875 e 1900 vieram para o Brasil.
A oportunidade para Rino conhecer o País surgiu através de uma dupla regional, que apresenta um programa local na TV italiana. A dupla anunciou um pacote turístico de 12 dias, em busca das origens, e ele logo aderiu. Como já sabia dos parentes londrinenses, procurou pela internet e encontrou o e-mail de Ébano, filho de Zenaide, professor de Matemática do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon). Entrou em contato, e a família brasileira o convidou para passar uns dias em Londrina.
Rino voltou para a Itália na quarta-feira da semana passada, com a sensação de dever cumprido. Conheceu várias famílias de origem italiana especificamente da região dele em Garibaldi, Bento Gonçalves, Santa Maria e Dona Francisca. Muitos estão numa situação privilegiada, muitos vivem na pobreza e até mesmo isolados em áreas rurais, observou. Alguns integrantes do grupo italiano encontraram parentes durante a viagem. E o que mais impressionou os turistas foi o fato de os descendentes dos imigrantes falarem o dialeto da região.
Segundo Rino, o contato foi proveitoso tanto para os italianos como para os brasileiros. Embora acredite que esse elo deva ser estabelecido em nível oficial, fizemos uma espécie de acordo de cooperação com as colônias que visitamos Rio Grande do Sul informou.
Zenaide e Ébano, os primos brasileiros, se dizem encantados por encontrar Rino. É muito importante resgatar as raízes, afirmam. Mas o que fez toda essa história começar ainda não terminou: mesmo tendo corrigido o sobrenome, ela ainda não conseguiu a cidadania italiana.


