Em busca da juventude
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de janeiro de 2009
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Alheio às sucessivas crises econômicas e à mudança nos perfis profissionais, um fenômeno estético toma conta do mercado e se transforma quase em unanimidade: a necessidade de parecer mais jovem. Quem analisa a situação, baseada nos quase 30 mil pacientes que já passaram por sua clínica em pouco mais de uma década, é a dermatologista Bettina Sanson. Uma das profissionais da área de beleza mais requisitadas de Curitiba, ela revela que desde que se especializou na área estética a procura pela clínica registrou aumento considerável, incluindo homens em busca do rejuvenescimento. ''Quando um homem na casa dos 50 aparece por aqui eu questiono: se separou ou mudou de emprego?'', brinca.
Mas a brincadeira tem fundamento. Bettina ressalta que o mercado profissional está muito mais exigente quando o assunto é apresentação, o que faz com que homens e mulheres dêem mais atenção à aparência. Por isso, os tratamentos estéticos ganham disparado entre os procedimentos dermatológicos. Sem limites de idade. A médica conta que uma garota de 17 anos foi recentemente à clínica à procura de tratamento. ''Mas isso é exagero. Com essa idade, é preciso apenas passar protetor solar'', ensina. A partir dos 20, no entanto, já é possível fazer tratamento preventivo para quem manter uma pele jovem e saudável.
E para quem descuidou na juventude e precisa correr atrás do prejuízo, a medicina estética oferece evoluções quase que milagrosas. ''Esse mercado está sempre mudando e o médico precisa estar atualizado'', revela a médica que integra grupo de estudos internacionais sobre toxina botulínica e laser e é referência nacional no assunto.
Natural de Curitiba e formada pela Universidade Federal do Paraná, a dermatologia sempre foi assunto de interesse para ela, mas a opção pela estética veio bem depois. Já na residência médica, ela se especializou em hanseníase, a doença de pele conhecida popularmente como lepra, e enfrentou jornadas de trabalho extensas e cansativas tratando dessas e de outras doenças dermatológicas no Paraná e São Paulo.
Vinda de uma família humilde, a mais velha de quatro irmãos precisou de muitos plantões médicos para conquistar espaço no mercado. Chegou a ter seis empregos simultâneos, o que rendeu muita experiência e histórias curiosas pra contar. Ela revela, por exemplo, que quando alugou a primeira sala para montar o próprio consultório precisava se desdobrar em realidades completamente opostas e se adaptar a elas. A clínica era no Batel, no mesmo prédio elegante em que anos mais tarde compraria um conjunto de cinco salas e onde ela permanece até hoje.
Bettina conta que atendia em locais muito pobres, em postos de saúde da Região Metropolitana de Curitiba e interior paulista, além de dar plantão no Hospital das Clínicas. Quando ia para o consultório no bairro nobre da cidade, muitas vezes estava com os sapatos sujos de barro e a roupa não condizia com o ambiente classe alta. ''Então mandei fazer um avental bem bonito e, quando chegava dos plantões, tirava os sapatos, colocava uma meia fina e um salto alto e o avental, bem comprido para esconder a roupa, e estava pronta para atender'', revela.
Depois de 14 anos de dedicação intensa, Bettina consegue hoje se dar ao luxo de dedicar as manhãs à filha, Nicole, de apenas 4 anos, antes de começar a atender os pacientes. Hoje se mantém apenas na clínica e deixou os plantões. Embora confesse ter saudades de dar aulas, o que fazia no Hospital das Clínicas, diz que não quer voltar à rotina exaustiva. ''Não me arrependo de nada e, agora, já que decidi ser mãe quero me empenhar'', diz. Para o futuro, pensa apenas em manter a qualidade que conquistou na clínica e, se der tempo, voltar a se dedicar ao piano, passatempo que aprendeu na infância e que guardou na memória para se dedicar num futuro próximo. E o futuro sempre chega.


