Elvis não morreu
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Carmen Ribeiro<BR>De Maringá 
Há 24 anos, no dia 16 de agosto de 1977, morria Elvis Presley, um dos maiores fenônemos musicais da história. Rebolado e brilhantina foram as marcas pessoais do jovem nascido no Mississipi, e que acabou determinando um novo caminho para a música no mundo todo. Mesmo com a carreira encerrada abrupta e precocemente aos 42 anos, Elvis até hoje continua motivando o aparecimento de imitadores por todo o planeta. Verdadeiros adoradores e súditos que prestam suas homenagens e reverências ao ''Rei'', numa manifestação inconformada, do tipo ''Elvis não morreu''.
Entre eles está o maringaense Edson Galhardi, de 32 anos, considerado um dos melhores, senão o melhor cover de Elvis Presley do País. Imagem, voz (ele canta, não usa playback), performance e carisma são os ingredientes do sucesso deste artista que começou a cultuar Elvis aos 12 anos quando pediu emprestado um LP. ''Comecei a brincar de Elvis. A primeira vez que vi uma apresentação sua, até então só o conhecia por fotos e discos, foi no Vídeo Show, fiquei estarrecido, encantado. Sua presença como 'showman' era maravilhosa. Me interessei em definitivo por sua música e sua história. Comecei devagar imitando seu gestos, sua voz, fui me aperfeiçoando, ajeitando minha presença no palco, atento ao menores detalhes. E lá se vão 20 anos...'', lembra.
Em 1985, Edson se inscreveu no programa ''Show de Calouros do SBT'', mas foi um fiasco, ainda não estava pronto. Mas seus patrões o incentivavam, levando-o para cantar em barzinhos e festas de amigos. O que no começo era só brincadeira, com o tempo se tornou um hobby e depois uma profissão. Hoje viaja por todo Brasil apresentando-se em hotéis, bailes, feiras, formaturas, convenções. São cerca de dez a doze apresentações por mês, durante o ano todo.
Um fato que chama a atenção de Edson são as crianças que chegam aos shows e descobrem uma nova música, uma nova imagem. ''Fico impressionado com a capacidade de assimilação, elas se identificam rapidamente e me acompanham cantarolando, embevecidas com o meu visual e minha presença no palco. É como se descobrissem um novo super-herói'', explica Galhardi. As mulheres também não deixam a tietagem passar em branco, e quase sempre o confundem com o verdadeiro e atacam. ''Algumas já me beijaram na boca (risos), invadiram o palco, tentaram arrancar minha roupa. Mas eu tiro de letra, com delicadeza e bom humor'', explica.
E por falar em roupa, Galhardi tem uma coleção de mais de 20 modelos confeccionados especialmente para seus shows por uma equipe composta por estilista, alfaiate, bordadeira e pintor. ''São roupas feitas para brilhar no palco'', conta Elvis cover, que hoje irá estrear dois trajes novos no programa Superpop, da Rede TV!, em uma homenagem ao aniversário de morte do cantor.
''Eu nunca deixo de ser Edson, eu não sou Elvis, eu sou um cover, sou um representante, sou um personagem'', garante. Mas não dá para negar a semelhança física, a mesma altura (1,83 m) e até o mesmo peso de quando Elvis estava no auge, além olhos claros, cabelos negros. Tudo isso não permite que Edson passe desapercebido. Nas ruas, nas lojas, tem sempre alguém reparando e percebendo esses detalhes.
E como fã incondicional, ele tem um sonho que é conhecer Memphis, a cidade e a mansão onde Elvis viveu e morreu. ''Assim que der vou pra lá. Las Vegas também é um paraíso porque muitos covers americanos se apresentam por lá. Nos EUA existem aproximadamente 150 profissionais'', informa.
Sobre ser um dos melhores do Brasil, Galhardi diz ''sem falsa modéstia, eu sou muito bom. Tenho domínio de palco, me pareço fisicamente com Elvis, me visto com perfeição, tenho um certo carisma com o público. No palco eu faço um trabalho muito bonito, eu interpreto Elvis, eu revivo o mito. Muitos covers são somente caricaturas, o dia em que eu encontrar um cover igual ou melhor que eu, não tenha dúvida, saberei reconhê-lo. Eu me apresentei no Beto Carreto World, e depois do show, Beto fez questão de me cumprimentar e revelar que era fã incondicional de Elvis Presley e que tinha assistido a um show dele em Las Vegas, que minha performace estava perfeita, e que ele tinha revivido momentos de fortes lembranças''.
O Elvis cover maringaense também está na Internet (www.elvispresleycover.com) e conta que existem mais de 500 milhões de páginas sobre Elvis, com dados sobre seus discos, sua vida, seu sucesso, sua história. ''Aliás, tudo na vida de Elvis é superlativo. Talvez você não saiba mas o primeiro video clip da história da música foi com Elvis em 1957, em preto-branco'', ensina.
O show de Galhardi tem mais de uma hora de duração e, segundo ele, de todas as músicas que interpreta, as mais aplaudidas são invariavelmente ''It's now or never' e ''Love me tender''. ''Na verdade eu não canto, eu interpreto, cantar só ele...''
Como cover profissional, ele teve que optar entre seu trabalho em uma empresa e os shows. ''Eles são muitos pelo Brasil todo. Financeiramente compensam, e emocionalmente são um desafio. Eu não sou Elvis, sou um representante, minha vida agora gira em torno dele. Depois de cada show fico em paz comigo mesmo. Volto a ser Edson, mas sei que amanhã novamente subirei ao palco e reviverei Elvis.'' Além da apresentação de hoje no Superpop, amanhã Elvis cover estará em Foz do Iguaçu e no sábado estará no Autódromo Internacional de Londrina na abertura do Encontro Internacional de Motoqueiros. E assim, de show em show, Elvis vive e revive no coração e mente de seus milhões e milhões de fãs.


