Por mais amigos e confidentes que sejamos de nossos filhos há momentos em que é necessário impor limites e dar bastas. Tem semanas na minha casa em que é ‘‘não’’ daqui, ‘‘não dali’’. Filho é bom, mas se deixar, sobe nas nossas costas e dá ordens.
Vez ou outra, meus filhos costumam se julgar auto-suficientes, donos da verdade e da situação. Aí é o momento de colocar os dois sentadinhos na minha frente e ter uma conversa séria, respondendo com firmeza e determinação a todos os questionamentos, que em alguns momentos quase me tiram do sério. Mas é preciso paciência e sabedoria para impor limites aos filhos. Na violência, na briga, nada tem jeito.
Meu caçula anda precisando de compreensão. Se ele tem tido atitudes não comuns a sua personalidade é porque, com certeza, está pedindo limites. Minha filha adolescente precisa saber que mesmo sendo precoce e responsável, precisa respeitar as regras que eu determinei na minha casa. Por isso que às vezes essa relação de amizade, respeito, cumplicidade e amor se confundem e é preciso parar, conversar e colocar tudo na ordem certa.
Ser mãe é tarefa difícil. E no momento em que você enfrenta os problemas próprios da idade dos filhos – que vão crescendo e cada vez mais precisando da gente – tem que agir com firmeza, mesmo com o coração apertadinho.
Os filhos gostam de se sentir protegidos, gostam de saber que existem limites que não devem ser ultrapassados. Se estamos juntos todos os dias, de manhã, a tarde e a noite é necessário que haja respeito porque caso contrário, a convivência fica insuportável.
Explico aos meus filhos que um ‘‘não’’, muitas vezes, é dado em função de uma experiência negativa que tive na infância ou na adolescência. E que um ‘‘não’’definitivamente não os torna os mais injustiçados do planeta.
Somos influenciados pelo meio em que crescemos. Nossos filhos são educados muito mais pelo que observam do que por aquilo que escutam de nós, que sempre estamos aconselhando, mostrando o certo e o errado, querendo que eles acertem sempre. E com uma única intenção: que sejam felizes. Mas sabemos que nem tudo acontece da forma que desejamos e planejamos para eles. Mesmo assim temos que dar exemplo. Não importa quantas vezes os filhos erram, mas a vez em que eles acertam. Quando meus filhos fazem exatamente aquilo que eu quero, sem eu precisar lembrá-los, a sensação é de estar fazendo um trabalho compensador. E isso é tão gratificante.
Os filhos fascinam-se exatamente pelas mesmas coisas que percebem ser valiosas dentro da própria casa. Se formos materialistas e apegados ao dinheiro tão-somente, sempre voltados para o sucesso e as glórias, os filhos só vão pensar nisto. Já presenciei filhos que vêem seus pais se vangloriando do mal que fizeram para outras pessoas ou até da vantagem que tiveram sobre as mesmas e de como tudo aquilo deu lucro. Mais tarde vão fazer exatamente o mesmo. Se embutirmos na cabeça dos nossos filhos que fama, dinheiro e sucesso são as molas propulsoras do bem-estar, não podemos esperar que essas mesmas crianças se debrucem sobre os livros e se tornem exemplos de alunos na escola.
Escutei de um psiquiatra que todo adolescente, quando começa a se manifestar de maneira errada, é porque no íntimo grita por limites que muitas vezes passam despercebidos para os pais. A indolência, o pouco caso para com tudo e para com todos é um exemplo disto.
Ficar ‘‘pendurada’’ no telefone com tarefa escolar esperando, passar horas em frente à televisão, sem tomar qualquer iniciativa – a não ser aquela de apertar os botões do controle remoto – são atitudes da minha filha adolescente que eu estou sempre repreendendo. A indolência pode levar a uma conduta errada. Tem hora certa para tudo. Até para ‘‘coçar’’.
Eu dou os ‘‘bastas’’ na minha casa sem o menor sentimento de culpa. Porque eu sei que se não for assim, serei responsável por alguma decepção lá na frente. Não devemos nos curvar à tristeza ou à cara de ‘‘injustiçados’’ dos filhos. Quando eles querem impor suas vontades sobre os pais, os papéis dentro de casa se invertem. E isso não pode acontecer nunca.
Não se deve abrir mão de certos valores ou de algo que possuímos apenas porque um filho quer.
Os ‘‘bastas’’ e os puxões de orelha servem, antes de mais nada, para eles entenderem que não podem ultrapassar minhas regras, sou a mãe deles. Estas devem ser respeitados em primeiro lugar.
A gente deseja que os filhos nunca tenham condutas que machuquem o próximo. Que não sejam egocêntricos ou egoístas, mas que sejam generosos, bons, educados. Impor limites significa amar. Dar bastas significa se importar. Se hoje sou uma boa mãe – ou pelo menos tento ser – é porque tive uma mãe ainda melhor para me ensinar. Somos exemplo, daí a responsabilidade.