Nunca tive tanta certeza de alguma coisa como tenho agora: de que recebemos aquilo que plantamos não importa quando e como, mas os frutos, um dia, começam a despencar da árvore. Se são bons ou ruins, vai depender apenas de quem plantou e vai colher.
A vida da gente é como um roteiro de nossa própria autoria, e todas as pessoas que participam dessa história são apenas aquelas que nós permitimos que participem. Muitas vezes nós agredimos essas pessoas, somos ruins, fazemos mau julgamento, não distinguimos quem merece consideração e quem não está nem aí com a nossa dor. E acabamos soltando farpas em quem não merece, somos injustos e, quando o troco vem, e ele chega mesmo que demore, achamos ruim.
Quando somos muito jovens e escutamos que tudo o que se faz aqui, colhe-se aqui mesmo, e que no futuro teremos de volta aquilo que deixamos no rastro, achamos impossível acontecer. Mas acontece e aí a gente questiona por quê. No fundo todo mundo sabe aquilo que plantou. Se foi antipatia, agressividade, mau humor, desonestidade, vai ficar sozinho. Se foi alegria, bom humor, justiça, amor, vai ter amigos pelo resto da vida.
A jornalista Carmen Kley, da Folha, outro dia falou algo muito legal. Ela disse: ‘‘sentimento é como fax, a gente manda uma cópia e fica com o original’’. Quando a gente tem sentimentos bons em relação ao próximo, quando a gente faz o bem, nosso coração é imutável, nossos princípios são firmes e a gente distribui ‘‘cópias’’ disso para o mundo todo. A gente escuta tanto que ‘‘fulano ou ciclano causou coisas ruins, prejudicou as pessoas e não foi punido’’. Bobagem. A vida dá o troco sem você precisar questionar nada, pedir nada. E, muitas vezes, a correção acontece no momento certo para que a pessoa se arrependa e entre na linha.
Iyanla Vanzant, em seu livro ‘‘Enquanto o amor não vem’’, afirma que se pudermos amar a nós mesmos, isso será o suficiente. Porque só quando sentimos podemos dar. E aí nosso coração abre para receber o amor que estava sendo guardado por outras pessoas para nós.
Às vezes, uma pessoa nos quer bem e a gente nem percebe porque nosso eu é mesquinho. Quando a gente expressa um sentimento bom, quando a gente deseja o bem até para aqueles que nos prejudicaram (e se você não consegue pelos menos não deseje o mal), a colheita vai ser boa, farta, bonita e só irá acrescentar. Eu mesma demorei alguns anos para aceitar isso como regra de vida, porque nossa natureza é vingativa. Mas o sentimento de ir à forra não leva a lugar algum. Essa é uma absoluta verdade.
Quando a gente absorve o que aprendeu sobre o amor, respeito e perdão e aplica na vida, criamos resistência para o que der e vier. Porque sabemos que situações boas e pessoas legais vão cruzar nossa vida. Se plantarmos o bem, a harmonia, a justiça, seremos vitoriosos.
Eu ainda não conheci uma pessoa que não tenha sofrido pelos seus erros, até comigo foi assim. E é com todo mundo que se julga auto-suficiente, que se considera o melhor, que trapaceia, calunia, magoa, desfaz. A minha dor certamente será a dor dele ou dela no futuro.
Se alguém te causou algum dano na vida, delete o sentimento de vingança, a dor da mágoa, cure o rancor. Porque o mundo é redondinho, dá voltas, tenho comprovado isso todos os dias. E quando você menos espera, a hora do outro também chega. Só que não servirá mais de motivo para uma vingança pessoal, mas, sim, para tornar você uma verdadeira expressão e exemplo de amor. De repente é você quem terá que dar a mão para levantar uma pessoa que te derrubou.

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