ELISIÊ PEIXOTO - LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de abril de 2001
Elisiê Peixoto 
Que todo mundo tem defeitos isto é fato. E que a gente vive tentando mudar o outro, considerando apenas as nossas atitudes certas, também é fato. Mas a gente sabe: é o caminho mais enganoso para se manter uma relação. Porque ninguém muda do dia para a noite. E mudança de estilo de vida, de comportamento, e para melhor, deve depender apenas da vontade da própria pessoa, nunca para agradar a namorada, o marido, o pai, a mãe. Quando não estamos felizes conosco devemos ter a atitude mais corajosa do ser humano: mudar e romper com coisas que já nos trouxeram infelicidade um dia. Uma mudança que depende exclusivamente da nossa vontade e de mais ninguém.
Numa relação, o mais importante de tudo é saber lidar com o parceiro real, e não com aquele que nossa imaginação criou ou idealizou. Eu e você temos defeitos, não apenas o nosso companheiro. Partindo desse princípio, a relação fica mais fácil, a gente acaba dividindo experiências, dando e aceitando conselhos, enxergando nele ou nela aquilo que considero o mais sagrado numa relação; o respeito incondicional.
E para a gente mudar e corrigir defeitos que carregamos durante toda uma vida requer renúncia. Requer aprender a ouvir, a perdoar, a ter humildade, a aceitar melhor algumas situações inesperadas que a vida prega e principalmente requer determinação para não abandonar os novos valores pela estrada.
Quando a gente assume erros e tenta consertá-los, dá exemplo e até ajuda outras pessoas que buscam mudança. É nítida a transformação externa e interna numa pessoa que se deu a chance de mudar. E eu penso que se pode vencer no amor aprendendo com os próprios erros. É a partir deles que nasce a vontade de acertar e de buscar a felicidade mesmo quando ela é um pontinho na imensidão. A gente não a vê com clareza, mas sabe que ela está lá, pronta para ser conquistada.
A mim foi ensinado que devemos aceitar o próximo como ele é, respeitando suas limitações, entendendo que a essência de qualquer pessoa nunca muda. Mas isto, hoje, gera uma outra interpretação. Tudo bem que aceitar os erros de quem a gente gosta é possível e numa convivência madura é essencial, mas ajudar o outro quando ele sente a necessidade de mudança e de correção é imprescindível. Desde que a relação não faça mal, não cause qualquer dano, dividir frustrações, decepções e mágoas é necessário. Porque amor também é isso.
A base de um bom relacionamento é saber que o companheiro não se comporta daquela maneira para nos agredir e sim porque ele é daquela maneira. E a essência de cada um não pode ser mudada, pode ser aprimorada, moldada, nunca mudada. Namorados ou casados podem ser diferentes daquilo que imaginávamos em sonhos, mas são quem escolhemos e gostamos. Então, transformar diferenças e não erros em coisas boas e saber lidar com elas com bom humor, renova os sentimentos.
Ninguém consegue descobrir valores mais verdadeiros, enxergar erros e analisar caráter logo de saída. Só mesmo com a convivência. E com ela, vem o gostar, o admirar, o aprender.
Quando enxergo erros numa pessoa da qual eu gosto muito, lembro que se trata de um ser humano como eu, formado de qualidades e defeitos, sem qualquer traço de super-homem ou supermulher. Aí a relação flui, as coisas começam a dar certo. O caminho é este mesmo e para qualquer relação.
Aniversário


