ELISIÊ PEIXOTO - LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de março de 2001
Elisiê Peixoto 
De uns anos para cá nunca se falou, escreveu, ouviu e leu tanto sobre o relacionamento a dois. A busca pela felicidade, a necessidade de estar junto, de dividir momentos bons e ruins têm sido a meta das pessoas que optam pelo caminho da cumplicidade, do bem-estar e do amor. E este é um assunto que prende a atenção de jovens, velhos, homens e mulheres. Porque ninguém nasceu para viver só. E, na maioria das vezes, a gente gasta tanto tempo tentando melhorar uma relação, concentrado numa série de questões, que acaba deixando de aproveitar as coisas boas que ela tem.
Ser feliz com uma pessoa não representa, necessariamente, se enquadrar com o parceiro em todos os itens. Não é preciso ter o corpo perfeito, entender do que ele ou ela entende, ser expert em nada e muito menos pensar exatamente igual. Eu falo de carinho, toques, conversa, estímulo e bom humor, que se resumem numa única palavra: prazer. Conheço casais que tiveram toda uma história de vida diferente, mas que estão sempre na mesma sintonia. Acho até que as diferenças complementam uma relação quando ela tem como base confiança e respeito. Porque nenhuma paixão sobrevive sem estes dois itens. Manter o respeito mútuo isto significa se fazer respeitar, impõe limites que vão ajudar na relação, nunca prejudicar.
No filme Um Toque de Infidelidade, há uma cena em que Ted Danson olha tão intensamente para Isabella Rosselini, que, ao não dizer nada, ele diz tudo. Só com o olhar. Esta é uma das últimas cenas do filme dirigido por Joel Schumacher e que emociona (pelo menos a mim) todas as vezes. Sabe aquele tipo de filme que você tem que assistir de vez em quando porque te faz renascer por dentro? A linguagem do corpo tem muita importância no contexto de qualquer relação amorosa. O que os olhos dizem é fundamental. E, muitas vezes, quando gostamos de uma pessoa, ficamos tão preocupados em falar a coisa certa, que acabamos deixando de lado as atitudes mais simples e firmes como a troca de olhar, o carinho num momento inesperado, um beijo roubado. São estas coisas que dão intimidade ao casal. Intimidade entre duas pessoas não é instantânea, ela vai se instalando docilmente e aí, sim, se torna algo valioso, algo por que vale a pena lutar.
Quando mexemos em certas emoções ficamos vulneráveis. Mas até isso ajuda numa relação amorosa, porque uma vez vulneráveis, entendemos melhor o parceiro. E a chave do sucesso é compreender as necessidades e as motivações básicas dele ou dela. Gostar de alguém é algo simples que independe de certos valores. Por isso insisto em dizer que numa relação as atitudes de carinho, os toques bem dados, a conversa sincera, o estímulo na hora certa e o bom humor são fundamentais. Assim, pessoas de naturezas diferentes podem dar certo juntas.
O psicólogo norte-americano William Hampes, em um dos seus livros, afirma que rir é um excelente combustível para a relação caminhar bem e a torna mais sólida. Você fica mais relaxada e disposta a partilhar as emoções e a confiar o outro. Brigas e mau humor constante desgastam qualquer relação. Amor rima com bom humor. O casal cria maiores vínculos se a alegria estiver presente até nos momentos mais íntimos.
Li que comunicação é a palavra mais usada em psicologia. Então, conversar não custa nada, faz bem à alma, faz bem ao coração. E quando a gente se sente à vontade para falar um com o outro, também nos tornamos mais sensíveis às necessidades do outro. Numa relação a dois isto significa cumplicidade.
Felicidade entre duas pessoas não cai do céu. É preciso conquistá-la. E fica muito mais fácil quando a gente dá importância às coisas mínimas de uma relação. Um final feliz necessita, além da sedução e de uma certa dose de compatibilidade, empenho e paciência. E, principalmente, o desejo de acertar.
Ser ou não ser


