ELISIÊ PEIXOTO - LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de março de 2001
Elisiê Peixoto 
Na semana que passou foram tantas as homenagens pelo Dia Internacional da Mulher que a crônica de hoje teria que ter um único tema: nós, mulheres. E ser dedicada todinha a este sexo chamado de frágil, mas que esconde uma força interior do tamanho do mundo. Somos especiais em gênero, número e grau. Já escrevi e volto a escrever com autoridade sobre o assunto porque ao me ver com a responsabilidade dobrada em todos os sentidos da vida tenho a absoluta certeza que só mesmo uma mulher é capaz de continuar dando novas respostas para velhas questões. Honoré Balzac já dizia: Em um marido não há mais do que um homem; na mulher casada há um homem, um pai, uma mãe e uma mulher. Deus nos fez assim mesmo, polivalentes, corajosas, batalhadoras. Para dar conta do recado, porque Ele já sabia.
Quando a minha filha nasceu, o que eu mais desejei para ela foi saúde. Depois, desejei também muita determinação para, ao longo da vida, ela encarar as atribulações que a mulher moderna enfrenta. E principalmente para se fazer ouvir em qualquer momento e se opor sem medo quando for a questão. Mas sempre ressalto a ela que devemos manter a feminilidade, independente da situação. Um amigo esses dias falou algo que retrata exatamente esta questão da feminilidade. Que se um homem quiser saber o que uma mulher pensa, deve olhar fixamente para os olhos dela e não prestar atenção ao que ela diz. É fato. Falamos com os olhos, a janela da nossa alma.
Assistindo a um debate em torno do Dia Internacional da Mulher, notei que existem mulheres que ainda questionam o fato da emancipação, achando que de alguma forma ela acarretou mais problemas, trouxe para nós um monte de tarefas nada fáceis de conciliar. A mulher emancipada tem que se virar e dar conta da casa, trabalho, supermercado, empregada, escritório, marido e educação dos filhos. Então, estamos em desvantagem em relação aos homens quando agregamos todos estes itens, enquanto eles se limitam a trabalhar, chegar cansados em casa e sem ânimo para ajudar numa tarefa escolar dos filhos. Mas ainda assim vale a pena. A supermulher precisou sacudir a poeira e ir à luta, dar um basta a diversas questões preconceituosas. A mulher aprendeu depressa a fazer o que o sexo masculino fazia e, por muitas vezes, melhor. E com tantas responsabilidades ainda somos vaidosas, cuidamos do visual e sorrimos. Nossa!
Minha avó costumava dizer que na época dela, a mulher era para o marido o que o marido havia feito dela. Mas hoje a realidade é bem diferente já que conquistamos direitos a partir do momento em que também colaboramos financeiramente no orçamento da casa, quando discutimos de igual para igual política, sexo e preconceito.
Entendo que a mulher vai ter que lutar sempre pelo respeito conquistado e merecido. Mas eu acho isso ótimo, assim dá mais vontade de se impor. Somos muito pouco valorizadas ainda. Deveríamos ser mais. Coisa boa quando conhecemos um homem que enaltece a mulher, elogia, se rende aos nossos encantos e nos valoriza da cabeça aos pés. O homem que tem esta postura dá a mulher amada a chave do seu coração. E essa, por sua vez, trata de mudar o segredo da fechadura loguinho...
A emancipação da mulher não veio apenas das concentrações operárias surgidas há anos, na queima de sutiãs em praça pública. É algo muito mais forte, que vem do berço, que ensinamos para os nossos filhos de acordo com a nossa postura diante da vida. Por isso escrevo, falo e grito: a valorização da mulher está em nós mesmas, porque ninguém faz isso pela gente. Nosso maior adversário está dentro de nós, nos puxando para baixo. E é isso que nos impulsiona a buscar o topo e nos conservar nas alturas. Merecidamente.
Tal pai, tal filho


