Qual a melhor descoberta que podemos fazer de nós mesmos? Esta pergunta escutei, há cerca de um ano, assistindo a um debate na televisão entre psicoterapeutas, cujo tema era Relacionamentos Afetivos. A resposta veio como uma flecha certeira na minha vida: a necessidade de mudar. Porque todos nós necessitamos de uma mudança interior para nos completar e completar o parceiro em algum item do relacionamento. Só que antes a gente tem que fazer uma faxina completa. Na alma, no dia-a-dia, no relacionamento com a vida.
A faxina numa casa a gente faz sempre de dentro para fora. E na vida da gente, ela tem que começar no coração, na alma, e depois acontece naturalmente no visual. Não pode ser diferente.
Muitas vezes, durante um relacionamento amoroso, o que está presente pode parecer amor, pode ser sentido como amor, mas não tem ligação nenhuma com a essência do amor. Durante o debate um dos terapeutas afirmou que estar com uma pessoa e fazer para ela exatamente o que não gostaria que fizesse com você é resultado de uma necessidade urgente de mudança. Porque nas outras áreas da vida daquela pessoa tudo deve estar também necessitando de uma faxina geral. Numa mudança a gente joga fora exatamente aquilo que não vamos usar mais, aquilo que não queremos mais para a nossa vida de forma alguma. E depois de tudo limpinho como é bom saber que a iniciativa de colocar a casa em ordem foi nossa, não partiu de ninguém e que cada canto da casa foi detalhadamente arrumado.
Penso que é isso que nos devolve uma auto-estima roubada lá atrás, num período negro da vida; que nos retorna a segurança interior que faltava frente aos obstáculos. Enfim, mudança interior só acrescenta, desde que a gente não tenha pressa em receber os créditos pela evolução. Os créditos chegam no momento certo e você só dá conta disso quando tem que tomar uma atitude simples como dizer ‘‘não quero e acabou’’.
Como é mais fácil passar a vida cobrindo-se com gestos e palavras gentis, concordando com tudo, dando desculpas para tudo, passando a imagem de alguém que você não é, só para agradar aos outros. Esta é a maior agressão que um ser humano faz a ele próprio. E isto também requer mudança de comportamento. Não são apenas as pessoas rudes, imediatistas, frias e sem qualquer resquício de consideração que precisam mudar. As ‘‘boazinhas’’ também, porque na maioria das vezes ensaiam uma peça de teatro tempo integral. Nos bastidores choram, se sentem agredidas e sofrem. À toa. Mudar de atitude perante a vida e às pessoas requer coragem, determinação, dói muitas vezes, mas faz bem.
Como eu, qualquer pessoa que determina fazer uma faxina na vida fica tentado, muitas vezes, aos comportamentos antigos, às atitudes tomadas lá atrás e que não deram bons resultados. A gente sabe disso e escorrega, cai e levanta. Porque quando a necessidade de mudança é maior que tudo, não é qualquer coisa que derruba de vez.
Quando sua vida passa por uma faxina, as questões do amor, do companheirismo e da amizade ficam confusas por um tempo. Porque tudo é novo demais e os conceitos antigos abrem espaços para idéias novas. E quem convive com você não entende certas mudanças. Depois começa a gostar delas, a admirar suas decisões e sem você se dar conta começa a ser exemplo. E a fazer a diferença.
Ainda no debate da televisão, uma psicóloga ressaltou que toda mulher que passa por este processo de mudança interior fica mais bonita, mais sensual, e é capaz de chamar a atenção de qualquer pessoa apenas pela maneira de andar, de gesticular. E eu acho, pessoalmente, que na vida do homem acontece a mesma coisa. Quando ele passa por esta faxina necessária, se torna mais interessante, mais inteligente e aprende a lidar com o ‘‘não’’ e com o ‘‘sim’’ de uma mulher sem grandes questionamentos. Penso que tanto o homem como a mulher crescem em atitudes, valorizam outras coisas antes sequer questionáveis. E principalmente aprendem a parar de olhar as questões dos outros e começam a ocupar-se das deles próprias. Mas isso já é assunto para uma próxima crônica...

Na Santa Casa

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