Todos os dias tenho aprendido com as diferenças presentes na minha vida, na vida dos meus filhos e dos amigos. Elas têm me ajudado a tomar decisões, a enfrentar desafios e principalmente a mudar. Para fazer diferença como mãe, como profissional e até como cidadã. Uma das coisas mais incríveis que eu sempre soube, mas não aceitava como direção de vida, é que aquilo que faz diferença não é o que tenho na vida, mas quem tenho. E que a boa família também podem ser os amigos que escolhi. Aqueles que ficam na chuva com você e que na hora das trovoadas e relâmpagos não tentam salvar apenas a própria pele.
Outra diferença que venho tentando fazer é em relação à educação dos filhos. Porque a gente como mãe procura acertar sempre. Mas continuamos cometendo os mesmos erros. Quando afirmamos que os filhos são frutos do meio e, principalmente, quando um lar desfeito reflete na vida das crianças e dos adolescentes, a nossa atitude maior deveria tentar fazer a diferença. Compreender muito mais as atitudes malcriadas, juntar um saco de paciência e estar presente na horinhas doídas. Ser uma boa mãe dentro dos padrões exigidos é fácil. Fazer a diferença é que é difícil. Porque nós teremos que retroceder alguns pontos de vistas, muitas vezes mudar conceito de vida e a princípio, não ser compreendida. Mas o resultado a gente vislumbra lá na frente.
Quando passamos por uma adversidade a única certeza que se tem é a de que aqueles melhores amigos vão te acolher. Não importa a situação, nem o motivo, você sabe que é nesta hora que a boa amizade é provada. Mesmo porque só existe amizade onde existe o desejo de tudo partilhar; cuidados, sofrimentos, alegrias, trabalhos, temores, idéias, projetos. Mas às vezes, não funciona assim. É por isso que hoje faço a diferença no dia-a-dia com os amigos. Os verdadeiros, reforço, são a boa família que tenho. Não temos laços de sangue, mas me amam o suficiente.
Tenho aprendido a diferença entre ser, fazer e ter. Pouco importa o que tenho, porque um objeto por mais caro e raro que seja, pode ser substituído; uma boa relação nunca. Tanto faz o lugar em que vivo se posso desfrutar do convívio das pessoas que gosto; tanto faz o falam de mim se a minha consciência tem paz. Isto é fazer a diferença.
A gente aprende com as diferenças até quando tomamos coragem para fazer algo que sempre empurramos com a barriga. Sem a ousadia de colocá-lo em prática. As pessoas não mudam, não crescem, por que não querem. E pouco se importam com o que deixam para trás. Num raio de 360 graus faz todo mundo sofrer e fugir dela. Por que não quer fazer diferença em nada, principalmente na maneira de ser. E acaba perdendo família e amigos.
Ouvi um terapeuta dizer que todos os dias, ao acordar, deveríamos perguntar a nós mesmos, nos olhando fixamente no espelho: ‘‘O que eu posso fazer hoje para crescer, edificar uma pessoa, fazer a diferença e dar exemplo?’’O primeiro passo sempre vai ser nosso. Se ficarmos esperando alguém nos trazer flores vamos esperar a vida toda. Melhor plantarmos nosso jardim particular, regar as flores, colher, fazer um buquê e entregar para alguém. Aí sim receberemos algo em troca.
Quem não tenta fazer a diferença acaba tornando-se indiferente. E depois faz de tudo para conquistar migalhas de atenção. Muitas vezes uma única atitute é capaz de derrubar barreiras, criar uma ponte de ligação, unir aquilo que foi desfeito. A atitude de descruzar os braços, ter menos orgulho e vencer o medo torna a gente uma pessoa melhor. Tem um ditado que diz mais ou menos assim: ‘‘Todas as coisas são difíceis antes de se tornarem fáceis’’. E é por aí. Quando resolvi fazer a diferença levei chumbo de todo lado. Mas hoje, todas as vezes que faço meu auto-retrato, tenho a certeza de que só acrescentei. Então não preciso de muito mais para ser feliz.

O Rei Roberto

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