ELISIÊ PEIXOTO - LONDRINA
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de janeiro de 2001
Elisiê Peixoto 
Conversando com Denise, companheira de redação do jornal, ouvi dela algo que definiu exatamente o perfil de uma pessoa que a cada dia me surpreende pelas atitudes. Ela foi feliz ao explicar que os conhecidos donos da verdade que não se intimidam, sempre tão cheios de argumentos e tão pobres de espírito, deveriam morar em casas onde as paredes seriam cobertas por espelhos. Para poder se olhar, se admirar 24 horas por dia e ter a certeza de que melhores do que eles, só eles. E não adianta, para estes professores de Deus não existem outros argumentos melhores que os deles. E como falam com autoridade, têm bom discurso, enganam até o mais competente orador.
Os donos da verdade, sempre e somente voltados para o próprio umbigo, criticam tudo, defendem pontos de vistas falidos, acham que a verdade por eles defendida é única e, o que é pior, pouco se importam com a opinião do próximo e com a veracidade dos fatos.
Quando convivemos com pessoas que se julgam tão inteligentes e competentes, muitas vezes questionamos se vale a pena insistirmos numa relação de amizade, de amor e autenticidade. Quantas pessoas acabam cedendo e concordando com os argumentos escabrosos de um dono da verdade, só para não brigar, para poupar pessoas e se poupar de mais decepções. Quem cala e engole sapo estará sendo condizente com aquele que erra, que manipula a verdade e a transforma naquilo que é perfeito para ele.
Meu filho Fernando, com a ingenuidade e curiosidade própria de uma criança aos 9 anos, me perguntou qual era o maior defeito de uma pessoa, aquilo que Deus menos gosta num ser humano como fez questão de ressaltar. Pedi uns minutinhos para pensar e a resposta talvez tenha o surpreendido, mas falou ao coração dele. Respondi que a auto-suficiência, a soberba, a falta de humildade são ingredientes que formam um bolo bonito por fora e completamente cru por dentro. Falta vida no interior das pessoas convencidas, autoritárias, orgulhosas, que sabem tudo e que a palavra humildade é algo tão distante quanto um cometa.
Tenho aprendido que uma das deficiências mais graves do homem é a incapacidade de ver os próprios defeitos e as qualidades alheias. Na vida, a gente deve ter humildade suficiente para corrigir os próprios erros e reconhecer as qualidades não só das pessoas que amamos, mais daquelas que nos decepcionam dia após a dia. Até as pessoas que deixamos de gostar têm coisas boas a oferecer, escondidas na auto-suficiência e no próprio ego, mas têm.
A vida é uma longa lição de humildade. Todos os dias a gente aprende isto. E é bom que seja assim. Para aqueles que reconhecem as próprias limitações, para aqueles que não costumam dar um pontapé no problema para vê-lo longe, para aqueles que conseguem pedir perdão, guardam o orgulho numa caixa e a enterra no fundo do mar.
Li um provébio que diz: Grandes espigas de milhos podem crescer em pequenos campos. Mas quem é dono da verdade e professor de Deus, não tem humildade para reconhecer que pequenas atitudes representam muito e, às vezes, tudo na vida de um filho, da esposa, do marido, do vizinho.
Gosto de conversar com pessoas que reconhecem não saber tudo e não escondem isto. Com elas tenho aprendido tanto. Os auto intitulados professores de Deus, esses, infelizmente, são poeira do chão...
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