Experiência. Todo mundo sobrevive a ela. Muitas vezes, às duras penas saímos ilesos, algumas vezes, fortalecidos, em outras, derrubados. Mas é certo, todo mundo passa pela vida saboreando ou amargando experiências. Certa vez, um amigo, ao me presentear com um livro, escreveu a seguinte dedicatória: ‘‘Toda experiência é boa professora, mas envia contas pesadas’’. Achei uma frase tão sábia que me fez voltar a uma época da vida em que eu me julgava a mais injustiçada do planeta. Foi assim que sobrevivi às desilusões amorosas da adolescência, aos regimes árduos, tentando me transformar naquelas modelos esqueléticas que eu julgava serem as mais perfeitas do mundo. Regime estes que só me renderam alguns desmaios e broncas homéricas dos meus pais. E mais nada.
Com a maturidade, a gente aprende a dar menos importância para determinadas situações. Mas isto, só a dona experiência ensina. E não adianta qualquer tentativa sua, de explicar aquilo que a outra pessoa tem que passar para entender.
Digo sempre aos meus filhos que se pudesse isentá-los das experiências ruins da vida eu certamente faria. Quando a gente vê um filho sofrer por causas tão banais ou mesmo por situações que nós sabemos qual vai ser o resultado, tentamos até persuadi-los a mudar de rumo. Bobagem. Há coisas na vida, que só passando, sofrendo e se decepcionando para entender. É duro ver a dona experiência tratando das pessoas que a gente ama. Mas é inevitável, porque a vida nos ensina desta maneira.
É verdade que existem situações que o jovem não sabe o que está fazendo. Mesmo porque, se soubesse, certamente não faria. E deixaria de sentir aquela sensação amarga que a frustação causa. Mas ainda acho melhor chorar quando moço, com muito tempo pela frente, do que quando mais velho. E na maioria das vezes, sem disposição para consertar algum estrago.
Quando explico para minha filha Roberta que estudar bastante, se privar de festas durante um ano, dormir cedo e acordar disposta para as aulas do colegial é fundamental para se passar no vestibular, significa que fazer cursinho e rever todas as matéria novamente durante seis meses é enfadonho, cansativo, principalmente quando os amigos já esquentam o banco da universidade.
É claro que passar ou não no vestibular é uma gota no oceano das experiências que minha filha vai ter pela vida afora. Mas considero minha obrigação de alertá-la. Porém ficar dando murro em ponta de faca e aconselhar as moscas, significa gastar meu tempo e minha massa cinzenta. Se a pessoa não aceita conselho, é teimosa feito Jó, então precisa cair nas garras da dona experiência.
Hoje sei que poucas pessoas são modestas o suficiente para suportar uma avaliação correta ou até mesmo para ser alertada de uma provável frustração. É assim quando nos casamos, completamente apaixonados, sem questionar nada. É da mesma maneira que muita gente abusa da sorte e depois sofre as duras consequências. A escritora Simone de Beauvoir dizia que ‘‘um adulto é como uma criança de idade’’. E é mesmo. Quando cismamos em fazer algo (mesmo aconselhados a não fazer, por pessoas experientes), fazemos. E depois choramos as pitangas.
Mas é claro que existe o lado positivo nas aulas da vida que a professora experiência ensina. E sabe qual é? A gente aprende a não repetir o erro. E aprende uma lição ainda mais severa: A de nos tornamos humildes e de reconhecer a própria pisada na bola.
Tenho visto uniões restauradas e perdoadas, filhos e pais se entendendo, amigos se reconciliando, gente procurando fazer o melhor em qualquer profissão, gente buscando a felicidade com responsabilidade. Mas só depois de levar uma rasteira. Creio que a maior lição de todas no curso da vida se resume em ser mais rápido no pensar e mais cauteloso no agir. Pensar duas vezes nunca fez mal a ninguém.

Futebol dos Artistas

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