Ela não dorme no ponto
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sábado, 28 de fevereiro de 2004
Karla Matida<br>Reportagem Local 
A empresária Renata Fernandes Carvalho descobriu logo cedo que o sangue de comerciante estava em suas veias. Aos 12 anos montou algumas bijuterias e saiu vendendo na pequena Lafaiete. Deu tão certo, que logo passou a vender roupas de casa em casa. ''Foi minha época sacoleira'', sorri Renata, que naquela época viajava até a vizinha Belo Horizonte para se abastecer de mercadorias.
De lá para cá, muita coisa mudou. A primeira mudança foi de estado, tanto o civil quanto o geográfico. Ao se casar, Renata trocou Minas Gerais pelo Paraná e foi morar em Campo Mourão, em 1988.
Com a experiência em vendas, Renata se sentiu segura para abrir a sua primeira loja. Nascia então a Sonhart, loja de pijamas e roupas infantis. Não demorou muito para que o tal sangue comerciante falasse mais alto outra vez. Cansada de ter poucas opções, a empresária teve a idéia de confeccionar os próprios pijamas. Contratou uma costureira, rabiscou um desenho que é hoje a marca do seu sucesso a menininha Pat e se lançou no mercado.
''Queria uma linha diferente daqueles pijamas da vovó, e mais confortáveis que os modelos em poliviscose'', lembra Renata. A aposta nas cores vivas e na malha de algodão logo se mostrou acertadíssima. ''Eu já tinha a visão do varejo e sentia o que o mercado queria'', completa. Da funcionária única, hoje ela comanda uma tropa de 300 empregados e outros 400 funcionários indiretos. Também passou por Cianorte, depois Rolândia e há um ano e meio transferiu o negócio e a família para Londrina.
Apesar da marca aliar as palavras sonho e arte, Renata conta que nunca sonhou realmente com o que está acontecendo hoje. Com representantes pelo Brasil inteiro, ela vê seus produtos sendo entregues até por frete fluvial. ''Tem até índio com meus pijamas'', avisa.
E como boa empreendedora, Renata não parou na criação dos pijamas. Como ela mesmo diz, ''uma coisa leva a outra''. De modo que logo vieram os lençóis, os edredons, acompanhados dos chinelinhos. Tudo sempre estampado com as simpáticas carinhas de Pat & Bill. ''Foi um americano que deu o nome para os dois durante uma Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil)'', lembra. De acordo com Renata, ao ver as estampas, o tal americano não titubeou em sentenciar que aquilo daria muito certo e logo tratou de batizar os personagens.
Se os nomes são importados, os desenhos nunca deixam de lembrar a doce infância da empresária em Minas Gerais. ''É um resgate do que vivi'', explica Renata, que está sempre retratando as brincadeiras dos tempos de criança. E haja memória, afinal, suas criações dão cor e forma a seis coleções anuais. Ou seja, a cada dois meses, novas fornadas de produtos saem de Londrina para todo o Brasil.
Sem loja própria, Renata prefere vender para multimarcas. Mas não perde o contato com os clientes. ''Foi um lojista que sugeriu que fizessemos os lençóis'', conta. Foram eles também os lojistas que pediram que as bolsas se transformassem em produtos de venda. ''Fizemos algumas para dar de brinde durante uma feira'', lembra a empresária.
''Com pijama e lençol eu não tinha noção porque ficam dentro de casa, mas com as bolsas pude ver nas ruas o meu produto'', conta orgulhosa. E o leque está só aumentando. Este ano, a empresa também entrou na área de papelaria e lançou agendas e bloquinhos.
No ano passado, a parceria com a Alpargatas fornecedora da lona para as bolsas avançou para a produção de um tênis Conga personalizado. Uma nova rodada de negociações teve início pouco antes do Carnaval. Mas o que virá por aí ainda é surpresa.
O que a empresária não esconde é o presente para o Dia das Crianças. Numa parceria com o curso de artes cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a empresa está montando um teatrinho com os personagens que estampam os pijamas. ''Já está pronto e vamos lançar em outubro, fazendo um tour pelos shoppings do País'', adianta.
Apesar de ver as vendas aumentando, este ano, pela primeira vez, Renata conseguiu viajar em férias e se desligar de tudo. ''Estou mais tranquila agora'', explica a empresária, que delegou poderes a pessoas-chaves na empresa. Mas é claro que está sempre por perto e chama pelo nome os funcionários da fábrica e do escritório.
''Dois anos atrás, eu fiquei bastante incomodada com as cópias. Hoje sei que tenho fidelidade do cliente, muito pela agilidade na troca de coleções'', explica. Enquanto você lê essa matéria, Renata já pode ter tido pelo menos um par de novas idéias para correr atrás.


