Ela é a dona da bola
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de junho de 2001
Carmen Kley De Londrina 
A um ano e meio da formatura em Educação Física, Michele de Souza Garcia, 24 anos, já deu o pontapé inicial à carreira: é técnica e preparadora física das equipes infantil e juvenil de futebol da Associação Portuguesa Londrinense (a Lusinha). Ela optou por uma área quase que exclusiva dos homens, mas não se sente discriminada: Mesmo sendo a única mulher em campo, eles me respeitam. Em um ano de trabalho, nunca tive qualquer problema, garante. O máximo que acontece é alguém desavisado pensar que ela é secretária do clube.
Única mulher numa família de três irmãos, Michele conta que desde pequena gosta de esportes. Foi atleta de natação e handebol, até que uma lesão no joelho a obrigou a desistir das quadras. Mas não desistiu do esporte, tanto que optou pelo curso de Educação Física. Ela estuda na mesma sala de Heber Roberto Lopes, considerado o melhor árbitro do Paraná pela revista Lance.
Michele é corintiana. O pai e os irmãos, são-paulinos. A mãe, que não liga muito para o futebol só acompanha os resultados é palmeirense. Desde pequena frequenta estádios de futebol e fala sobre o assunto com conhecimento de causa.
Descoberta pelo coordenador-geral da Lusinha, Amarildo Vieira, quando estagiava na escola Paulo Freire, na zona Sul de Londrina, Michele trabalha cerca de três horas e meia pela manhã, mais quatro horas à tarde e à noite estuda. É muito importante, para mim, trabalhar com as categorias de base. Todo bom jogador tem, necessariamente, que ter um bom alicerce. A gente, então, forma atletas, explica.
Michele tem esperanças em relação ao novo técnico da Seleção Brasileira, Luis Felipe Scolari: Pelo trabalho nos clubes em que atuou, pode melhorar a equipe em 80%, calcula. É fã de Zico, um verdadeiro líder, além de saber atuar em momentos exatos, e jamais convocaria para um time seu o jogador Roberto Carlos. Ele tem um ponto de vista individualista e se julga superior aos colegas, justifica, acrescentando que o espírito de equipe deve prevalecer nos esportes coletivos.
Sempre que pode, Michele acompanha o trabalho dos técnicos Antonio Casera e Rogério Micale, da equipe de juniores da Lusinha. E tem planos para o futuro: fazer pós-graduação em Treinamento Desportivo e mestrado em Fisioterapia Desportiva.
Quando não está no campo da Vila Terezinha ou no campus da Unopar, onde estuda, Michele gosta de sair com amigos para dançar. Não tem namorado, mas mesmo estando a maior parte do tempo entre jogadores de futebol, prefere que o pretendente seja de outra área. Acho que não seria ético, pondera. Mas ele tem, sim, que gostar e muito de futebol e não ter ciúme dela. Levo meu trabalho a sério, conclui.


