Francesa de Avignon, a professora Elisabeth Dei Ricardi já se sente uma londrinense ‘‘da gema’’ e não se cansa em buscar a integração entre a cultura francesa e a brasileira
Elisabeth Dei Ricardi já provou que tem fôlego de sobra. Depois da correria das comemorações do Dia Internacional da Música, ela já está de viagem marcada para a França. Embarca amanhã para Avignon (sul da França), sua terra natal, para participar das três semanas do festival de artes e teatro da cidade.
Na semana passada, à frente da Aliança Francesa, Elisabeth coordenou 80 apresentações musicais que movimentaram Londrina durante todo o dia 21. A inspiração veio do ‘‘Fête de La Musique’’, celebrado na França todos os anos. ‘‘Eu me orgulho muito em desenvolver as coisas com um toque do meu país’’, explica a professora, que fez questão de um repertório bem brasileiro.
No Brasil há 20 anos, Elisabeth veio para cá por amor, acompanhando o marido brasileiro que conheceu nos Estados Unidos. Por aqui, teve três filhos e descobriu ‘‘o país do calor, do afeto’’. Ela resume: ‘‘Esse abraço daqui não tem igual.’’
‘‘Sou londrinense, defendo muito esta cidade que me recebeu tão bem’’, explica Elisabeth. Mesmo assim, avisa que precisa voltar para a terra natal de tempos em tempos. ‘‘Vou pra França não por luxo, mas por necessidade de recarregar minhas baterias. Preciso sentir os cheiros, comer os queijos de cabras’’, confessa.
Para a professora, Londrina e Avignon têm muitas coisas em comum. Aqui como lá, a agricultura é muito forte. Mas a parte cultural também não fica atrás. Depois da 2ª Guerra, a idéia era descentralizar o teatro na França, até então concentrado em Paris. A cidade escolhida para receber o Teatro Popular Nacional foi justamente Avignon. ‘‘O festival é uma referência em toda a Europa’’, afirma.
Além de rever a terrinha e os parentes, Elisabeth também leva na bagagem outra missão: começar a promover um trabalho cultural conjunto entre as duas cidades. ‘‘Em 2005, durante todo o ano, o Brasil será o país-honra na França’’, conta a professora.
‘‘Até lá vamos trabalhar muito para o que levar, o que mostrar’’, diz Elisabeth. ‘‘O francês tem planejar tudo muito antes’’, explica. ‘‘Já o brasileiro tem o truque de fazer tudo em cinco minutos e dar tudo certo’’, brinca.

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