Ela descobriu o Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de junho de 2002
Karla Matida<BR>Reportagem Local 
Francesa de Avignon, a professora Elisabeth Dei Ricardi já se sente uma londrinense da gema e não se cansa em buscar a integração entre a cultura francesa e a brasileira
Elisabeth Dei Ricardi já provou que tem fôlego de sobra. Depois da correria das comemorações do Dia Internacional da Música, ela já está de viagem marcada para a França. Embarca amanhã para Avignon (sul da França), sua terra natal, para participar das três semanas do festival de artes e teatro da cidade.
Na semana passada, à frente da Aliança Francesa, Elisabeth coordenou 80 apresentações musicais que movimentaram Londrina durante todo o dia 21. A inspiração veio do Fête de La Musique, celebrado na França todos os anos. Eu me orgulho muito em desenvolver as coisas com um toque do meu país, explica a professora, que fez questão de um repertório bem brasileiro.
No Brasil há 20 anos, Elisabeth veio para cá por amor, acompanhando o marido brasileiro que conheceu nos Estados Unidos. Por aqui, teve três filhos e descobriu o país do calor, do afeto. Ela resume: Esse abraço daqui não tem igual.
Sou londrinense, defendo muito esta cidade que me recebeu tão bem, explica Elisabeth. Mesmo assim, avisa que precisa voltar para a terra natal de tempos em tempos. Vou pra França não por luxo, mas por necessidade de recarregar minhas baterias. Preciso sentir os cheiros, comer os queijos de cabras, confessa.
Para a professora, Londrina e Avignon têm muitas coisas em comum. Aqui como lá, a agricultura é muito forte. Mas a parte cultural também não fica atrás. Depois da 2ª Guerra, a idéia era descentralizar o teatro na França, até então concentrado em Paris. A cidade escolhida para receber o Teatro Popular Nacional foi justamente Avignon. O festival é uma referência em toda a Europa, afirma.
Além de rever a terrinha e os parentes, Elisabeth também leva na bagagem outra missão: começar a promover um trabalho cultural conjunto entre as duas cidades. Em 2005, durante todo o ano, o Brasil será o país-honra na França, conta a professora.
Até lá vamos trabalhar muito para o que levar, o que mostrar, diz Elisabeth. O francês tem planejar tudo muito antes, explica. Já o brasileiro tem o truque de fazer tudo em cinco minutos e dar tudo certo, brinca.


