Quando Mariana Tomaz mudou-se para Doha, capital do Qatar, em 2011, a única intenção era ficar perto do namorado, o jogador de vôlei Alex Jangada, que atua em um time daquela cidade. Sem ao menos cogitar, a jovem de 25 anos e dona de traços marcantes se tranformou em uma notável nutricionista e modelo naquele país.
Já adaptada às doutrinas do mundo árabe, Mariana passou a atender - como nutricionista - brasileiros que lá residem e pessoas influentes, tendo entre seus clientes o nome de Sheikha Jawaher, a princesa do país e esposa do príncipe Sheikh Tamim.
''Arrumei este trabalho por intermédio de um brasileiro que vive em Doha há 15 anos e é personal trainer da princesa. Ele entrou em contato comigo para que eu fizesse algo multidisciplinar com ela. Este trabalho também é muito interessante, pois fiquei sabendo como funciona a vida de uma princesa que, aliás, é uma pessoa muito simples e agradável'', conta ela, em temporada de férias em Londrina.
Num local onde a religião muçulmana impera e entre os maiores pecados está o fato de as mulheres mostrarem algumas partes do corpo, como ombros, barriga, seios e pernas, Mariana vem trilhando e brilhando em outra carreira: a de modelo.
Sua vocação para desfiles e fotos vem superando, aos poucos - pelo menos neste momento - seu amor pela nutrição. A brasileira, que nunca gostou de ser muito magra e que se irritava com os comentários de que parecia uma modelo, ganhou terreno fértil no segmento da moda no Oriente realizando, assim, o antigo sonho de seu pai, que sempre a incentivou para ingressar nesta profissão.
''Quando fui para lá não tinha certeza se iria permanecer ou não, porque não sabia se conseguiria algum emprego. Uma das minhas amigas sugeriu que eu enviasse algumas fotos minhas para agências de talento. Assim que enviei, logo me responderam. Um mês depois já estava fazendo trabalhos como modelo. Fiz amizades muito preciosas neste meio'', relembra.
Desde que passou a se dedicar à nova profissão, Mariana está no melhor dos mundos. Foi capa de famosas revistas de moda do Qatar, desfila para várias marcas durante fashions shows, além de fazer trabalhos editoriais.
''Eu peguei amor por isso e estou cada vez mais me aperfeiçoando. Além do fato de que me divirto muito, pois estou sempre fazendo trabalhos com modelos que se tornaram grandes amigas, e também por estar em contato com culturas de diferentes países, já que cada uma veio de um canto do mundo, e isso me enriquece muito. O salário não é o mesmo que de uma grande modelo, mas estou fazendo um 'pé de meia' legal. Hoje estou trabalhando mais como modelo do que como nutricionista'', explica.
Mesmo vivendo a léguas de distância do seu país e contornando como pode a saudade dos pais, do cachorro, dos amigos de longa data e da culinária, a londrinense não pensa em voltar a morar no Brasil. Além do lado profissional pesar muito, o fato de residir em um dos países mais seguros do mundo tem influência sobre a decisão.
''Nunca soubemos de episódios de violência, roubos, assaltos ou coisas do gênero. Lá podemos deixar nossas casas e carros destrancados sem preocupação. Saímos nas ruas com objetos de valor, às vezes uma boa quantia de dinheiro na carteira, e não precisamos nos preocupar se vamos ser assaltados, pois a punição para quem comete crime é muito severa. Lá é muito mais fácil ter o carro dos nossos sonhos, o melhor celular e tudo o que há em tecnologia avançada. Em compensação, se quisermos manter uma alimentação equivalente à do Brasil, temos que gastar bastante dinheiro'', explica.
Embora já esteja habituada aos costumes e regras, algumas curiosidades ainda impressionam a brasileira, tais como comer sentado no chão e com as mãos, e a festa de casamento dos árabes, onde homens e mulheres comemoram separadamente.
''Os árabes costumam comer quase tudo com as mãos, mas só é permitido comer com a mão direita; com a esquerda é uma ofensa para eles, porque caracteriza mão suja. A festa de casamento não é comemorada com homens e mulheres juntos. As mulheres chegam usando a abaya (burca) e assim que entram no salão de festas retiram suas abayas e permanecem com o vestido de festa, sempre extravagante, usando maquiagens fortíssimas. Os homens não podem ver as mulheres sem burca'', conta Mariana.

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