Doçura que não sai de moda
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sábado, 18 de abril de 2015
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Vilma Rossi Cordeiro já se acostumou a ver seu quitute mais famoso ser incorporado ao seu sobrenome. Tanto que atende prontamente quando a chamam de Vilma do Bolo. Mas também, foi em 1972 que ela criou uma das referências mais saborosas da região, o Bolo da Vilma. Por mais que o caçula Thiago a ajude nas inovações, tanto tecnológicas como o site e o blog, como nos novos produtos, como o Cake in Box, a boleira segue praticamente as mesmas receitas há mais de 40 anos.
Paulista de Pardinho, Vilma veio para Londrina ainda criança e por aqui casou e teve filhos. "A família do meu marido, falecido há 11 anos, era muito grande e eu fazia bolos para todo mundo", conta sobre o início da carreira. Os elogios eram tantos, assim como os pedidos, que o marido a incentivou a passar a cobrar pelos bolos. Dos parentes-clientes, Vilma resolveu ir oferecer suas doces criações a um bufê recém-inaugurado. "O Planalto também estava começando. Cheguei lá e falei que fazia uns bolos gostosos", diverte-se a boleira, que virou fornecedora desde então.
E foi por intermédio do Buffet Planalto que Vilma serviu um Presidente da República. "Sim, até um presidente comeu um bolo meu. E não entreguei, fui lá pessoalmente preparar", conta, referindo-se ao ex-presidente João Figueiredo. Famosos ou não, os clientes da boleira são parte da história. "Vivo ouvindo 'ah, você fez meu bolo de casamento'." E mais de 40 anos, o bolo que serviu os noivos foi passando para as próximas gerações. Batizados, 15 anos e as mais variadas comemorações.
"Poderia ter uma variedade de sabores, mas preferi não", avisa Vilma, que segue com seus clássicos bolo de nozes e bolo de abacaxi com ameixa, além das variações como o nozes com chocolate ou damasco e o abacaxi com cocada, entre outras opções. "No Natal, o quanto eu conseguir fazer de bolo de nozes eu vendo", contabiliza a boleira, que produz mais de 100 quilos do bolo na data festiva.
Mesmo com uma grande cozinha, Vilma ainda faz questão, como ela diz, "de manter tudo muito caseiro mesmo". E ela explica: "a farinha que eu uso é do pacote de um quilo, as embalagens de fermento também são pequenas, acho que o ar circula mais, fica mais fresquinho", ensina. Dos seus bolos tradicionais, apenas um está para sair de linha. "O Marta Rocha é muito trabalhoso e quase não faço mais. O último que eu fiz foi para uma funcionária que me pediu", conta a boleira, que trabalha há muito tempo com a mesma equipe.
"Elas fazem tudo direitinho. Eu até poderia parar, mas não penso nisso", avisa. Dos quatro filhos, apenas o caçula trabalha com a mãe. Uma das filhas, que mora nos Estados Unidos, foi responsável por internacionalizar o Bolo da Vilma. "Ela se casou em Nova York e eu fiz o bolo lá. Até hoje ela brinca que o pessoal fica perguntando quando eu vou voltar", conta a boleira, que preparou cerca de 20 quilos de bolo de chocolate e nozes.
Para os americanos, só mesmo com a visita in loco da boleira. Já para os brasileiros, provar os bolos da Vilma ficou mais acessível com o Cake in Box, que deve ganhar em breve uma distribuição pelo País. "Pode ser até congelado", garante. Boa opção para quem tem aquela vontade repentina ou mesmo recorrente.


