Marina Person é franca e direta. Ela admite, por exemplo, que só não teve vontade de deixar a MTV porque sempre faz coisas diferentes na emissora. Em quase oito anos, já comandou inúmeros programas de estilos distintos. O mais recente é o quadro ''Cine Contato'', que apresenta há três semanas dentro do jornalístico ''Contato''. Além de voltar a falar de cinema na MTV, já que começou na emissora em 1993 como produtora do ''Cine MTV'', Marina comanda o ''Meninas Veneno'' desde março deste ano. O programa é uma espécie de ''clube da Luluzinha'', em que a apresentadora recebe sete convidadas para ''tricotar'' sobre assuntos ligados ao universo feminino. ''Não armo barraco. Faço um programa intimista e não constranjo as convidadas'', diz a bela paulistana de 32 anos.
Mas nem sempre ela consegue agradar a todos. O ''Meninas Veneno'' é exibido às quintas, às 22 horas. Como é reprisado às sextas, às cinco da tarde, Marina conta que tem pais de espectadores que ligam reclamando que os temas estão muito pesados para o horário. '''Tamanho Faz Diferença?' foi um exemplo'', diverte-se. Nas verdade, as discussões do programa vão desde as mais fúteis, como ''Meu Bichinho, Minha Vida'', até polêmicas, como ''Meninas que Gostam de Meninas''. Marina acha graça das reclamações paternas e não concorda com os descontentes. ''Pior é passar filmes violentos, à tarde, com o protagonista matando um monte de gente'', argumenta.
Apesar de evitar revelar nomes, Marina não esconde que já foi sondada para deixar a MTV. Mas a apresentadora afirma que não se sente animada. Principalmente analisando o tipo de produções dedicadas aos jovens em tevês como Globo, Band e Record. ''Programas como da Adriane Galisteu, Luciano Huck e o 'Superpositivo' são porcarias. Ruins mesmo'', detona. Marina ressalta que ''tem tesão em trabalhar na MTV'' e que não basta simplesmente ganhar um salário maior para trocar de emissora. ''Me importo é com o que vou fazer. Mas a maioria das pessoas é seduzida pelo dinheiro e a possibilidade da fama'', acredita.
Algo que ajuda Marina a não cair na mesmice na MTV são as entrevistas que ela faz no exterior. A apresentadora já entrevistou inúmeros artistas internacionais, como Francis Ford Coppola, Pedro Almodóvar, Stephen Frears e Jean-Luc Besson. Marina não esconde um certo orgulho de ter entrevistado a imprevisível Madonna no ano passado. ''Senti um frio na barriga, mas consegui mais tempo que o previsto para a entrevista'', revela. A apresentadora já se acostumou com o esquema das entrevistas coletivas internacionais que, apesar de serem bem organizadas, são impessoais. ''Um assessor fica do lado controlando. Um pergunta fora do programado e ele diz logo next question'', conta. Com a atriz Julia Roberts, o papo não passou de cinco minutos. Mas as entrevistas mais difíceis para Marina são as com bandas de adolescentes, tipo N'Sync, que ela desconhece a carreira. ''Os integrantes do Five foram grosseiros. Já os Hansons foram gracinhas'', compara.
Formada em Cinema pela USP, Marina já ganhou um Kikito em Gramado em 1996 pela direção do curta ''Almoço Executivo''. A história de Marina com o cinema vem de casa. Seu pai é o cineasta Luís Sérgio Person, que faleceu aos 39 anos em um acidente de carro. Ele dirigiu filmes como ''São Paulo S. A.'', com Eva Wilma, ''O Caso dos Irmãos Naves'', com Raul Cortez, e ''Cassy Jones'', com Paulo José.
A sua mãe, Regina Jehá, é documentarista, e sua irmã, Domingas, é repórter do canal Multishow, da Globosat. Marina pretende finalizar o documentário ''Person'' para divulgar o trabalho do seu pai e precisa de R$ 300 mil. Sem esconder a óbvia admiração pelo pai, a apresentadora aproveita para questionar a liberação de verbas de patrocínio no Brasil. ''O Fábio Barreto conseguiu R$ 8 milhões para um filme com Letícia Spiller e Thiago Lacerda. É o tipo de produção que não vai se pagar nunca. Acho que haveria de ter uma divisão mais justa de patrocínio'', alfineta.

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