Doce criatividade
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sábado, 18 de junho de 2011
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
Não é força de expressão. Criativa vem obviamente de criatividade, e isso é o mínimo que se pode dizer de uma artista que, nos últimos anos, especializou-se em fazer doces que são uma verdadeira obra de arte.
Nascida em São Paulo e radicada em Londrina, Adriana Carioba não cansa de dizer que seu talento para criar vem do ócio. Seu pai, um fazendeiro que adorava caçar e pescar, e sua mãe, uma artista com dons apurados que atualmente dedica-se à arte da cerâmica, passaram para a filha o que conhecemos por aventura e bom gosto.
''Criatividade é o que me move. Meu ócio sempre foi criativo. Já sofri muitas cópias, o que considero um elogio. Eu mesma não gosto de copiar ninguém, o que faço normalmente é fazer homenagens a pessoas que admiro, utilizando a mesma técnica, mas modificando ingredientes em uma preparação'', disse.
Atualmente residindo em São Paulo, cidade que escolheu por razões pessoais e também por ser um ótimo mercado, Carioba traduziu ainda mais seu talento criando ''flores para comer''. A bela, deliciosa e sofisticada invenção caiu no gosto de ilustres pessoas e marcas, como Christian Louboutin, Ara Vartanian, Maite Birman, Casa Santa Luzia e Joyce Pascowicth.
''Hoje não fabrico mais doces, apenas flores. Por exemplo, na semana passada, parando o carro no estacionamento vip do Iguatemi, você recebia um convite para ir ao Louboutin e recebia uma flor de canela. Ou no Fashion Day do shopping Cidade Jardim, todos os convidados do Ara recebiam pétalas de leite derramado e baunilha'', contou.
O sucesso que Adriana conquistou e vem mantendo com o passar dos anos é o mais puro reflexo de uma pessoa meticulosa e detalhista. Partindo da premissa de que é sempre preciso se colocar no lugar dos clientes, sua fama ganha mais brilho principalmente por ser uma pessoa 100% estética.
''Tudo que me rodeia precisa ser bonito. Não posso ter nada feio na confeitaria. Minha chefe de confeitaria já sabe que tudo precisa ser branco, nada de comprar utensílios feios. Tenho pavor! E assim, seria incapaz de fazer um doce feio ou cafona, simplesmente é contra minha religião, não sai. Se você entrar na minha confeitaria a qualquer hora do dia, tudo vai estar na mais perfeita ordem. Tenho técnica para fazer bonito e gostoso, mas tem que ter estilo também''.
Formada em nutrição no Brasil, foi na França, na École Lenôtre, que Adriana Carioba desvendou os mistérios dos doces. Dona de uma beleza admirável, a paulistana de nascimento e londrinense de coração deposita o amor à gastronomia principalmente nos ensinamentos de sua avô, a qual ela define como uma cozinheira encantadora.
''Foi ela que me inspirou. Em torno do fogão a lenha, que nunca se apagava, percebi as magias criadas naquela cozinha de fazenda, assim me tornei também uma feiticeira como ela. Frutas, verduras, leite, manteiga, ovos, tudo fresco e orgânico. Isso é a verdadeira gastronomia que me foi apresentada muito cedo, com muita qualidade e por pessoas especiais'', relembra.


