Do lar para o mundo dos negócios
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domingo, 19 de novembro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A empresária Kozue Imai, 58 anos, sempre gostou de trabalhar e nunca teve medo de novos desafios. Filha de um casal de imigrantes japoneses, que viviam do trabalho na terra, com 11 irmãos, a jovem nascida em Wenceslau Braz começou a trabalhar cedo. Quando os pais se mudaram para Londrina, ela tinha 17 anos e já trabalhava na extinta construtora Mitomu Simamura e Companhia Ltda.
Foi lá que ela conheceu o futuro marido, o advogado e economista Toshio Imai. ''Na época, ele prestava serviços de contabilidade para a empresa e a gente se encontrava ocasionalmente. Depois de um tempo resolvi me mudar para São Paulo para estudar e nós perdemos contato'', conta ela.
Mas o destino os uniu quando, cinco anos depois, Kozue foi convidada para cuidar do escritório paulista da construtora que tinha Toshio como um dos sócios. ''Isso foi em 1972 e nós nos casamos em 1974. Foi quando parei de trabalhar. Os outros sócios e o Toshio achavam que seria melhor se eu me afastasse para não misturar trabalho com família. Meu marido não era machista, mas preferia que eu ficasse em casa cuidando dos filhos que viriam'', lembra.
E vieram dois, uma menina e um menino. Com a chegada das crianças, a vida de Kozue se resumiu em dedicação à família. ''Era eu quem cozinhava para eles, acordava de manhã, cuidava das coisas da escola. Eu queria continuar trabalhando fora, mas meu marido achou melhor não e eu aceitei. Toshio era uma pessoa de muita iniciativa, fazia tudo para a família e eu acabei me acomodando'', diz.
A vida de dona de casa continuou até 2001, quando o marido faleceu, vítima de uma pancreatite. ''Ficou 30 dias internado e não esperávamos que ele iria falecer. Toshio sempre se mostrou muito forte para mim. Eu achava que ele era imortal'', comenta.
Nessa época, a família estava há 15 anos morando Curitiba e Toshio já era sócio majoritário da Artenge Construções Civis - nome dado à antiga Mitomu Simamura e Companhia Ltda depois do falecimento do fundador da empresa, também dono da Maringá Soldas e da Fazenda São Lucas, no Mato Grosso do Sul. ''Meu marido sempre gostou de ter negócios em ramos diferentes para que um pudesse ajudar o outro em um momento de crise. A fazenda era o que eu mais conhecia, mas das empresas eu não entendia nada porque Toshio não costumava falar de trabalho em casa'', diz Kozue.
Mesmo assim, a força e a determinação que Kozue mostrava nos tempos de juventude voltaram com força total depois do falecimento do marido. ''Uma semana depois da morte dele, eu já estava no escritório assumindo as coisas. Nem pensei na possibilidade de ficar em casa. Embora eu não trabalhasse, Toshio acreditava muito em mim e colocava meu nome em todos os contratos das empresas como responsável, caso ele viesse a faltar'', afirma.
Segundo ela, essa decisão foi fundamental para ajudá-la a superar a perda do companheiro de quase 30 anos. ''Nós erámos uma família muito unida e feliz e ficar sem o Toshio foi muito difícil para mim e para meus filhos. Eu chorava todas as noites, quando chegava em casa, mas durante o dia o trabalho me distraía e dava sentido à vida'', explica.
Com a ajuda dos sócios, Kozue aprendeu como funcionavam as empresas. ''Meu marido sempre se preocupou em se cercar de gente confiável e competente. Foram essas pessoas, que já trabalhavam com ele, que me ajudaram em tudo. Mas tive que fazer minha parte e procurar informação. Eu pesquisava muito em livros e estudava aquilo que eu precisava saber'', garante.
Em pouco tempo. Kozue já estava colocando em prática suas idéias. ''A cultura da empresa era muito conservadora e hoje temos uma comunicação melhor entre todos. Também criamos um departamento de marketing e melhoramos o acesso dos funcionários aos diretores e à informação. Haviam muitas coisas que estavam impedindo o progresso da empresa e acredito que para mudar as coisas é preciso mudar as pessoas primeiro. Minha preocupação é tratar todos com respeito e movificar os hábitos antigos da empresa que estavam impedindo o crescimento''.
Hoje Kozue é presidente da Artenge e da Maringá Soldas, além de cuidar da fazenda com mais de 4.500 cabeças de gado, movimentando com isso cerca de R$ 19 milhões por ano. A rotina da empresária se divide entre a residência fixa, que divide com os filhos em Curitiba, e viagens quinzenais para Londrina e Ivinhema (MS). ''Trabalho bastante e também estou fazendo faculdade à noite, mas procuro manter o contato com meus filhos, que trabalham comigo na Maringá Soldas'', diz.
Tanto empenho lhe rendeu um capítulo no livro ''Capitãs da Indústria Paranaense'', editado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), e uma indicação para o Prêmio Cláudia 2006. ''Para mim, tudo isso foi uma alegria, uma honra e um aumento de responsabilidade. Sei que tenho um papel importante e posso ajudar as mulheres a perceber que elas podem encarar os desafios e vencer. Que as pessoas não devem ter medo das coisas e, sim, acreditar que têm força para seguir em frente.''


