Do karaokê para o cinema
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de outubro de 2001
Karla Matida<br> De Londrina 
Ser gerente de captação de recursos não é tarefa fácil. Imagine então ter essa função no cinema brasileiro. Pois é o que a relações públicas Fabia Tanabe faz há quase um ano, viabilizando a nova produção da cineasta Tizuka Yamasaki, o filme Gaijin 2.
''É a parte mais difícil, principalmente porque o Brasil ainda não tem a cultura do cinema'', conta. ''Mas a experiência foi ótima'', completa Fabia, deve encerrar seus trabalhos no dia 31 de dezembro. Com pós-graduação em Administração de Eventos Públicos e Privados, pôde usar seus conhecimentos no contato com médias e grandes empresas e até multinacionais. ''Na nossa abordagem falamos em benefícios fiscais e no retorno institucional do cinema, que é uma mídia eterna'', explica.
De acordo com a gerente de captação, a estratégia foi tratar o produto cinema de forma mais comercial. Para complicar um pouco a situação, o orçamento do filme foi feito em 1997, quando o dólar era ainda cotado em um por um. Mais trabalho para Fabia.
Mas engana-se quem pensa que o projeto dela para o ano que vem é descansar. Fabia garante que irá acompanhar as filmagens (marcadas para depois do Carnaval). Além de dar uma assistência na produção, ela também irá se empenhar na mobilização e apoio da comunidade em torno do filme.
Cantora desde os quatro anos, Fabia Tanabe colecionou, até o ano passado, prêmios e campeonatos tanto no Brasil como no Japão. Mas há um ano decidiu encerrar a carreira em busca de algo mais. ''Para mim, a música sempre foi um hobby. Eu queria me encontrar profissionalmente, naquilo que eu escolhi para mim'', conta Fabia, que pouco antes de parar de cantar, conquistou o bi-campeonato brasileiro de música japonesa.
''Recebi convites para ser cantora profissional no Japão, mas preferi não aceitar'', explica. ''Mas continuo no meio e sempre vou ver meus amigos nos campeonatos'', diz Fabia, que também não parou de dar aulas de karaokê em Uraí e Itariri (interior de São Paulo). ''É o jeito de estar sempre ligada à música'', conta.
Quando ainda era sócia da Mity Productions, especializada em eventos culturais e musicais, Fabia conheceu Tizuka Yamasaki em uma pré-seleção de atores. ''Foi em 1998, e eu estava acompanhando alguns candidatos em Curitiba'', lembra. E em dezembro do ano passado, a cineasta fez o convite para que Fabia integrasse sua equipe. ''Eu nunca imaginei que um dia trabalharia com cinema, muito menos com a Tizuka'', conta. ''Ainda tenho muito que aprender.''


