A vida de Cristina Pirv, de 42 anos, é marcada por recomeços. Nascida e criada em um país comunista, a ex-atleta de voleibol encontrou em uma atividade característica do mundo capitalista um novo ofício: Cristina é quem comanda um curso recém-criado no Centro Europeu de Curitiba sobre gestão no mercado de luxo. "É um novo desafio e estou superfeliz. Como morei muitos anos na Itália e na França, países onde nasceu o mercado de luxo, sempre vivi nesse meio e pude notar qual o diferencial desse segmento em várias áreas como a moda, gastronomia e hotelaria."

Para Cristina, a experiência como atleta pode colaborar com o novo ofício. "Assim como no esporte, no mercado de luxo você precisa se diferenciar, ter algo a mais. Além disso, ambos não trazem resultados imediatos. São coisas a médio e longo prazo. Por ter um relacionamento com esse universo e esses conceitos acho que posso contribuir bastante."

Natural da Romênia, Cristina viveu toda sua infância e adolescência sob o regime comunista, motivo pelo qual começou a se interessar por esportes. "Como era um país comunista, uma das únicas maneiras de você se destacar era por meio do esporte. Comecei a praticar vôlei com oito anos de idade, mas antes disso já fazia atletismo e patinação no gelo. Quando fiz dez anos decidi ficar só no vôlei, pois vi que o esporte individual não era para mim. Sempre gostei de competir, mas também de ter essa interação de grupo."

Atleta de ponta, Cristina acabou deixando sua cidade natal, Turda, aos 14 anos, quando se transferiu para o Dínamo Bucareste, na capital do país. "Esse era o maior clube da Romênia na época e eu queria estar no melhor." Para encarar o novo desafio, Cristina precisou enfrentar o pai e o antigo treinador, que eram contra a mudança devido à pouca idade da atleta. Por fim, a experiência deu tão certo que em poucos meses Cristina deixou a equipe de juniores e ingressou no time titular do Dínamo. "Como eu era a mais nova tentava sempre me superar. Sempre fui muito perfeccionista, por isso, treinava bastante sozinha depois dos treinos e até com a equipe masculina, onde a rede era 19 centímetros mais alta. O que eu queria era me diferenciar."

Determinada e independente, Cristina conta que sempre foi um pouco "rebelde" e questionava bastante a realidade de seu país. "A gente tinha um caderninho de compras para cada família, onde continha quantos litros de leite, quilos de farinha e açúcar que teríamos direito a cada mês. Tudo era racionado. Não posso dizer que passei fome, mas era um regime comunista bem restrito. Água quente, por exemplo, tínhamos apenas duas vezes por semana. Mas eu não aceitava muito as coisas. Inclusive participei da revolução de 1989 que derrubou o regime comunista."

Um ano mais tarde, Cristina foi eleita a melhor jogadora de vôlei da Europa e em 1991 foi jogar na Itália. "Tinha propostas da França, da Grécia e da Espanha, mas escolhi a Itália. Pensei: fui eleita a melhor jogadora, mas quero ver a minha capacidade no melhor campeonato do mundo com as melhores jogadoras do mundo."

A história de Cristina só foi se encontrar com o Brasil, anos mais tarde, em 1997. Na época ela havia sido a segunda maior pontuadora do campeonato italiano e recebeu uma proposta do Minas Tênis Clube. "Na época eu pedi o dobro do que eu ganhava achando que eles não iam aceitar. Dois dias depois vieram com a resposta de que eles aceitaram minha proposta e eu fiquei apavorada porque eu não queria ir, mas tinha dado minha palavra", conta. Já no Brasil, Cristina se apaixonou pelo time do Minas e lembra com carinho da época em que defendeu a equipe. "A relação que eu criei com o Minas foi muito interessante. Sem dúvida, uma das épocas mais marcantes da minha carreira. Foi maravilhoso para mim."

Já a mudança para o Paraná ocorreu anos mais tarde, quando Cristina ainda era casada com o também ex-jogador de vôlei Giba. "Tínhamos a opção de ficar em Belo Horizonte, mas a família do Giba é do Paraná então decidimos ficar perto da família." Depois da separação – que pôs fim a um casamento de nove anos –, Cristina resolveu continuar morando no Estado com os dois filhos. "Meus filhos nasceram em Curitiba e eu adoro o Paraná. Super me adaptei à cidade e à região. Tenho amigos maravilhosos aqui e, agora, esse novo trabalho, um novo desafio", conta a ex-atleta, que se sente em casa no Estado. "Além disso, tem um detalhe interessante. Se você for notar o mapa da Romênia é muito parecido com o mapa do Paraná."

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