DIRETO DOS LIVROS DE HISTÓRIA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de fevereiro de 2001
Karla Matida 
O dia é dos homens na São Paulo Fashion Week, que será encerrada hoje com um dia exclusivo para a moda masculina. Sobem à passarela as coleções só para eles de Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Ellus e Ricardo Almeida. É a segunda edição do evento em que acontece o tal dia masculino.
Mas, antes disso, o terceiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week apontou para as histórias, seja dos livros de ficção, não-ficção ou da nossa própria história. A Zapping abriu o dia afirmando usamos o que somos e que as roupas contam histórias da vida. Para a grife, o que se veste é um mosaico de culturas e informações que vai se adquirindo.
E nesse ritmo, o jeans é companheiro e testemunha e por isso mesmo surge surrado e cicatrizado. Para fazer companhia, peças em pelúcia, tricô, moleton e fleece com cartela de cores abusada para uma estação que quer ser escura. É tudo muito colorido e misturado. A cara da Zapping.
A história de Reinaldo Lourenço quer ser austera, mas não perde a fantasia. A tradução fashion para isto? Cintos militares e peças em couro ajustadas ao corpo ao lado de vestidos dobraduras em formas de folhas de levíssima renda. Até o couro não resiste a ser totalmente austero e ganha leveza nos evasês e nos volumes das mangas das jaquetas. Irresistível.
Já Gloria Coelho, buscou a história da G no best-seller Harry Potter (três volumes lançados no Brasil), que conta as aventuras de um menino bruxo. Os óculos 3D distribuídos com os convites fizeram a magia acontecer, transformando as estampas coloridas das calças, blusas, vestidos e até das meias-calças.
No preto e branco, são as frases que estampam as peças. E na história mágica, as roupas se transformam em outras, resgatando o conceito de duas em uma. De repente ela é saia, em seguida um vestido. Nessa coleção, a G surge com brilhos nas estampas e nos cristais Swarovski.
Dos livros infantis para a história real. O desfile da Forum olha para o passado, mais especificamente para a época de Lampião e Maria Bonita. O cangaço ganha toques de contemporaneidade e surge com vestimentas negras. Estão lá as tachas (muitas delas, aliás) e o couro bordado, muitas tiras e cintos-cartucheira. A renda é tecido (como no macacão e nas blusas) e também estampa. O marrom ganha força ao lado do camelo e do laranja. Apesar da dureza das armas e das batalhas, Maria Bonita não descuidava do que vestia. Guerreira sim, mas sem perder a vaidade. Para o outono-inverno, a Forum quer que as mulheres sejam neo-cangaceiras, com sensualidade à flor da pele.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.


