Diferentes olhares sobre o Japão
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sábado, 21 de maio de 2011
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
A curiosidade foi o que despertou a vontade de Ricardo Yamamoto conhecer mais a fundo o mundo da fotografia. Lá nos primórdios, com um modelo SLR em mãos, ele foi desvendando o manusear do equipamento e tudo que o envolvia.
Era ano 1999, época em que Ricardo morava em uma província no Japão. ''Por causa da fotografia me mudei para Tóquio. Trabalhava como operário em uma fábrica, mas minha intenção era encontrar trabalho na área de fotografia. Minhas fotos chamaram a atenção de Lyncoln Saito, então diretor de produção da IPC World, afiliada da Rede Globo no exterior. Ele me chamou para melhorar a fotografia nas produções locais, feita para a Globo Internacional'', contou.
Na vontade de ser reconhecido entre os bons, Ricardo transformou vários trabalhos em passagens fascinantes em sua vida. Produziu e apresentou três ensaios fotográficos dentro do tema ''Brasileiros no Japão''. O primeiro, em 2008, foi batizado de ''Partida'' e falava sobre a comunidade brasileira no Japão e seu papel na manutenção do estilo de vida econômico japonês. Bem recebido, ganhou destaque em revistas e no Days Japan, além de ser apresentado em várias universidades e na Japan Foundation Tóquio.
Em seguida vieram outras duas exposições sob a temática ''A Meia Distância'', em 2009, que relatava o papel das modelos brasileiras mestiças no mercado de propaganda japonês; por último, ''Paisagens Partidas'', que trazia imagens de crianças que moravam ao Sul do Japão, tendo como ideia também mostrar lugares deixados pelos japoneses que decidiram fazer vida em terras distantes e nunca mais voltaram.
Por três anos Ricardo foi editor assistente e encarregado de fotografia da Revista Vitrine. Suas lentes também registraram grandes estrelas mundiais. ''Nas premières de produções de Hollywood em Tóquio, que são eventos de tapete vermelho, foram marcantes para mim fotografar Angelina Jolie, meu ídolo George Lucas, Harrison Ford e Tom Cruise'', confidenciou.
De volta ao Brasil depois de duas décadas no Japão, Yamamoto projeta em terras vermelhas dar continuidade a sua atividade. ''Meu plano é remontar aqui meu laboratório preto e branco, terminar e apresentar um ensaio que deixei pela metade no Japão sobre as antigas paisagens deixadas pelos imigrantes japoneses e dar continuidade no meu trabalho com fotografia fine art, já que tenho responsabilidades com a galeria com a qual tenho representação, que é a Raandesk Gallery, em Nova York''.
Voltar à fotografia que ele descobriu e se encantou quando estava começando, que traz temas sobre o que está dentro das pessoas e não fora, completa suas metas. ''Tomara que eu consiga'', finaliza ele.



