Curitiba - Um dos maiores desafios do ser humano é decidir a profissão que vai seguir. Feita a escolha, os obstáculos não páram. Ainda é preciso fazer a diferença e buscar novos desafios dentro do mercado de atuação.
A professora Maria Alexandra Cunha é um exemplo desse mecanismo. Ela terminou o curso superior de informática aos 19 anos, numa época em que esse território ainda era liderado pelos homens. Começou a dar aulas e fez diversos cursos de especialização, mestrado e doutorado dentro da sua área, além de estender para administração. Professora de uma universidade particular há quase 20 anos, ela viu o esforço reconhecido, agora, com a indicação do seu segundo livro, a obra ''e-Desenvolvimento no Brasil e no Mundo: Subsídios e Programa e-Brasil'' ao Prêmio Jabuti, um dos prêmios mais importantes do País.
O livro foi o terceiro colocado na categoria Economia, Administração e Negócios. Alexandra, que organizou a obra em parceria com os professores Peter Knigh e Ciro Fernandes revela: ''A premiação foi uma surpresa porque se trata de um reconhecimento, e isso no meio acadêmico é difícil. Tem muita gente fazendo muita coisa interessante'', diz. Mas ela soube fazer a diferença. Nascida em Portugal, a mais velha dos cinco filhos veio com a família para o Brasil, aos 15 anos. Um ano depois já entraria na Universidade Federal do Paraná. Logo que se formou quis fazer mestrado na área, mas foi desaconselhada por ''ser muito jovem''.
A carreira da curitibana de coração realmente começou bem cedo para os padrões atuais. Aos 20 anos, Alexandra já dava aulas no curso superior de informática da UFPR. ''Eu era mulher, com cara de criança, numa área dominada por homens'', brinca. Para driblar as possíveis dificuldades adotou uma ''postura mais brava'', conforme conta. Durante duas décadas, ela conciliou o trabalho na Companhia de Informática do Paraná (Celepar) com a carreira docente, além de nunca parar de investir em especializações.
Atualmente, aos 45 anos, ela se divide entre as aulas na PUC-PR, as publicações e ainda encontra tempo para dar (muita) atenção aos três filhos. ''Sou uma mãe bastante exigente e tento estar presente. Mesmo com a correria, acho que Curitiba ainda permite esse trânsito entre a casa e o trabalho'', diz. A educação, aliás, tem premissas rígidas quando levada para dentro de casa. Em sala de aula, também não é diferente. E sobre os jovens universitários, ela comenta: ''Em sala de aula temos bons e maus exemplos de alunos e de cidadãos'', diz, complementando que vê muita gente interessada em aprender, mas também muitos alunos que estão ali ''apenas pela função burocrática, porque é uma obrigação''.
Sobre a obra indicada ao Prêmio Jabuti, Alexandra conta que foi um trabalho árduo, mas muito gratificante. O livro apresenta recomendações do projeto para políticas públicas do Programa e-Brasil e teve a colaboração de 61 autores. ''Todos os textos são inéditos, escritos especialmente para a obra'', diz. Este ano, foram inscritas mais de 2 mil obras, em 20 categorias da premiação. A entrega das estatuetas e dos prêmios em dinheiro (somente para os primeiros colocados em cada categoria) está marcada para o próximo dia 31, quando serão revelados os melhores Livros do Ano nas categorias Ficção e Não Ficção.

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