Desembarque na maturidade
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sábado, 26 de abril de 2003
Roberta Brasil<br>TV Press 
''O Beijo do Vampiro'' chega ao fim com 40 capítulos a mais que os 180 previstos. Mas Flávia Alessandra permanece com disposição e bom humor inalterados. Afinal, sua personagem a terceira Lívia que ela interpreta numa novela convenceu como mãe família e passou por diversas fases ao longo da novela de Antônio Calmon. Mas não perdeu o rumo. ''Ela ficou viúva, conheceu o fundo do poço e renasceu. Aí deixou de ser uma figura apática para se tornar uma guerreira pelo amor dos filhos'', analisa a atriz de 28 anos que, pela primeira vez, interpreta uma mulher madura.
Mas a maturidade conquistada pela personagem encontra eco também na atriz. A mudança é perceptível no vídeo. Flávia está bem à vontade no papel de mãe de quatro filhos. ''Sinto nas ruas a repercussão desse trabalho. As crianças são as que mais me abordam'', conta, orgulhosa. A atriz revela, porém, que não é nada fácil comandar a criançada em cena. Numa sequência de praia, por exemplo, teve de lidar com os assobios e elogios dos garotos à sua forma física. ''Eles diziam que eu estava inteirona!'', entrega, às gargalhadas. Na verdade, Flávia é mãe apenas da pequena Giulia, de três anos filha do diretor Marcos Paulo, de quem se separou no ano passado.
A atriz não tem uma explicação para ter vivido a terceira Lívia, em novelas consecutivas as duas primeiras foram a vilã mal-amada de ''Meu Bem Querer'' e a mocinha emancipada de ''Porto dos Milagres''. ''Fazer personagens de mesmo nome não está em meu contrato!'', adianta. E arremata ''Mas se está dando certo, tudo bem... O Maneco não tem as Helenas dele? Então, eu tenho as minhas Lívias!'', brinca.
Novo rumo depois de cursar Direito
Flávia apareceu já nos primeiros capítulos da novela com um ar bem menos glamouroso do que a protagonista loira de ''Porto dos Milagres'', de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Ao longo da novela, cortou as madeixas já escurecidas e adotou um visual ainda mais simples. Como intérprete de uma das poucas personagens realistas, numa novela recheada de vampiros, teve de encontrar credibilidade para um tipo sério entre tantos farsescos. ''Foi maravilhoso, depois de 13 anos, voltar a fazer uma novela do Calmon. Ele tem um texto leve. Mesmo no drama, não perde o bom humor'', ressalta, redimida, a atriz que estreou em ''Top Model'', do mesmo autor.
Flávia começou cedo na carreira. Mas demorou a deslanchar. Aos sete anos, com cabelos loiros e olhos puxados herança da ascendência indígena , já fazia os primeiros comerciais para tevê. Aos 12, estava no filme ''Boca de Ouro'', dirigido por Walter Avancini em 86. Dois anos depois, venceu o concurso ''Top Model'' promovido pelo ''Domingão do Faustão'' com a finalidade de revelar novos talentos. Ao seu lado, chegaram à final as então novatas Adriana Esteves e Gabriela Duarte. O prêmio de Flávia foi o papel da aspirante a modelo Tininha, de ''Top Model'', em 1989.
Nos anos seguintes, porém, a atriz só conseguiu papéis como coadjuvante ''bonitinha''. ''Eram personagens que não estavam na sinopse. Não tinham pai, nem mãe, nem casa. Assim, ficava difícil desenvolver'', assume. Em 91, ao ver que permanecia ''encostada'', enquanto atrizes que começaram ao seu lado já faziam em papéis de destaque, Flávia ingressou na faculdade de Direito. Formou-se advogada no final de 96. Mas, em seguida, foi escalada para interpretar a Dorothy, de ''A Indomada'', de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. ''Era um papel pequeno como os anteriores. Mas tinha conteúdo e cresceu ao longo da novela. Dali, minha carreira tomou novo rumo'', lembra, abrindo um largo sorriso.
De fato, a exemplo das protagonistas do autor Manoel Carlos, a Lívia de ''O Beijo do Vampiro'', foi criada sob medida para a intérprete. Coisa que Flávia demorou a acreditar. ''Quando o Calmon me fez o convite dizendo que tinha criado a Lívia para mim, falei que ia pensar e desliguei. Só depois me dei conta do que aconteceu... Na verdade, não tinha acreditado que aquilo era real'', revela a atriz, que prontamente desfez o mal-entendido e aceitou o papel.


