Desbravadora
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sábado, 22 de setembro de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
De jovem prodígio à uma incansável empreendedora da educação, a professora Eda Machado de Souza já soma mais de 50 anos dedicados ao ensino. Mineira, com fortes laços com o Paraná, ela começou em Arapongas a sua bem-sucedida carreira. Precoce, tinha apenas 17 anos quando tomou posse na direção de um colégio da cidade, para onde havia acabado de se mudar com o marido. Ainda na lua-de-mel, o casal ficou sabendo que os negócios da família dele tinham passado por uma reviravolta. Foi quando os recém-casados decidiram tentar a sorte em outro estado.
''Não tive medo de arriscar'', lembra a professora, que transformou a frase em lema. Aliás, é algo que ela não cansa de transmitir para os alunos. ''Sempre falo para eles não terem medo. As oportunidades podem não surgir uma segunda vez'', avisa. ''Se não der certo é só começar tudo outra vez'', garante.
Se bem que, para Eda, novos começos estão sempre em pauta, mesmo com tantos sucessos. Faz parte do seu espírito empreendedor. Tanto que nove anos atrás, às vésperas de completar 60 anos - idade em que muitas pessoas estão se preparando para uma tranquila aposentadoria - ela decidiu encarar um novo desafio e fundar o Instituto de Educação Superior de Brasília, o IESB. Não satisfeita em dirigir cerca de 10 mil alunos, ela voltou ao Paraná, depois de muitos anos, para tomar frente da Metropolitana, somando outros 2.500 jovens sob sua atenção e amizade. Exagero? Não para ela, que costuma dar o número do próprio celular para os alunos.
Sempre cercada de juventude por todos os lados - além dos universitários, a professora tem um filho de 21 anos e um neto de 19 -, Eda se reabastece com essa energia. ''Nos quatro primeiros anos (da Metropolitana-IESB) vinha para Londrina toda semana'', diz Eda, que mora no Distrito Federal desde o final dos anos 1960, quando deixou Arapongas por conta de perseguições políticas.
Ao aceitar participar do projeto de escolas radiofônicas que iria atender a zona rural da região, a professora passou a se envolver com questões de cooperativismo. ''Escrevia artigos sobre o assunto'', lembra. ''Saí magoada e triste da cidade, mas me adaptei rápido em Brasília'', confessa. Mas nada como um dia depois do outro. No ano passado, ela voltou a Arapongas para receber as devidas homenagens por ter sido a fundadora da Biblioteca Machado de Assis, cerca de 45 anos atrás.
Em 2004, outra homenagem especial fez Eda carimbar o passaporte mais uma vez. Ela viajou para os Estados Unidos, para ser o centro das atenções de um evento da Universidade da Pensilvânia, onde, na década de 70 (já viúva e com uma filha pequena a tiracolo) cursou o mestrado e o doutorado em educação. É um costume antigo da Penn State homenagear ex-alunos que se destacaram em suas áreas.
''Sempre tive em mente que precisava melhorar o mundo'', explica ela, que usa a educação para isso. Participante do Clube de Roma - grupo de 100 pensadores do mundo inteiro -, Eda embarca nos próximos dias rumo à Europa para uma reunião com o grupo. ''Serão discutidos problemas do futuro e os relatórios são enviados para entidades internacionais'', diz. Em Paris, Eda tem um encontro com um diretor da Unesco para propor ações que envolvam jovens carentes da Capital Federal.
''A vida tem sido muito boa para mim, mas não foi fácil'', conta. ''Você não sabe o quanto eu caminhei, para chegar até aqui'', cantarola a professora, utilizando o refrão da canção Estrada, do Cidade Negra. ''Essa música reflete bem a minha vida'', revela. Tanto é que já foi trilha sonora de uma das campanhas da Metropolitana-IESB e deu o tom à inauguração do campus londrinense, que contou com show da banda carioca.
Pouco antes de inaugurar a universidade em Brasília, Eda até pensou ''que queria levar uma vida mais calma''. ''Trabalhava no Ministério da Educação de manhã, tarde e noite'', lembra. Sem tempo de parar, ela é categórica ao dizer que quer ''morrer trabalhando''.
De olho num futuro que já começou, Eda está sempre em busca das últimas tecnologias para abastecer as salas de aula. O programa Blackboard é uma ferramenta de ensino que vem dos Estados Unidos para auxiliar na praticidade das aulas. Os alunos não precisam escrever nada em cadernos já que têm todo o material no computador. ''É um sistema informatizado em que o aluno pode fazer muita coisa em casa'', explica. ''O que mais tem aqui é tecnologia'', garante.


