Há nove anos, Olga Krell inventou o que hoje muita gente do ramo chama de o ''Oscar da Decoração Brasileira''. O conceituado Prêmio Espaço D leva o nome da revista lançada por ela em 1997, com o respaldo de uma longa e muito bem-sucedida carreira. A verdade é que a história de Olga, ligada à arquitetura, começou muito antes dela nascer.
Filha de um arquiteto, seguiu os passos do pai, não só na carreira como nas viagens mundo afora. Nascida na Polônia, Olga veio para o Brasil com a família para fugir da guerra. Antes de desembarcar por aqui, os Krell passaram pela Turquia, Índia, Síria, Iraque, Irã e África do Sul.
O espírito aventureiro contagiou os genes de Olga e ela foi parar nos Estados Unidos, onde frequentou a Cornell University, que hoje tem um dos melhores cursos de arquitetura do mundo. ''Mas eu não tinha talento'', conta ela, muito sincera. Olga até pensou em desistir no meio do caminho. O pai pediu paciência e ela acabou o curso. ''Ele falou para eu aguentar porque a arquitetura é um guarda-chuva e que dentro desse guarda-chuva eu acharia um nicho onde conseguiria me realizar'', conta.
Mas nem mesmo o pai de Olga poderia imaginar que o tal nicho seria justamente o das revistas especializadas. Ao voltar para o Brasil, ela até chegou a trabalhar em um escritório de arquitetura. Privilegiada, teve contato com nomes badalados como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Mas nem mesmo isso a inspirou a seguir desenhando.
Amiga de colégio de Roberto Civita, da Editora Abril, Olga fez algumas críticas sobre algumas revistas da família e logo foi desafiada a fazer melhor. Mesmo sem experiência alguma em jornalismo, acabou topando o desafio e passou a comandar a cozinha experimental da revista Claudia.
Fez estágios em revistas nos Estados Unidos e Europa, frequentou um curso de especialização na Califórnia, na conceituada Stanford. Tudo isso enquanto dirigia as publicações da Abril começou com a culinária e depois passou à diretoria de redação da Casa Claudia, especializada em arquitetura e decoração. Foram quase 30 anos na editora da família Civita, onde ajudou a ampliar o leque de títulos, na cola do sucesso de vendas da Casa Claudia.
Ao sair da Abril em 1990, montou uma pequena agência de publicidade e de consultoria. Mesmo assim não se afastou das redações de revistas e se tornou diretora da revista A&D, da editora Azul. Em 1997, ao lado de dois dos três filhos, lançou revista própria, a Espaço D, que recentemente ganhou uma irmã mais nova, a Festas. ''Não vou parar de trabalhar. Adoro o que faço, as viagens, estar perto de gente e coisas bonitas'', diz Olga.
No início do mês, ela esteve em Londrina como convidada do arquiteto Guilherme Torres, que levou um dos prêmios da revista na edição de 2005. ''Faço uma revista brasileira'', enfatiza Olga, que está sempre à procura de novos talentos pelo País. ''Só não conheço o Acre e Rondônia'', explica. Além das muitas viagens que faz, ela também mantém contato com profissionais de todo o Brasil por conta do prêmio. Por ano são cerca de 800 trabalhos inscritos. ''Os brasileiros têm talento e jogo de cintura'', elogia Olga.
Com o sucesso da revista Festas ''ela se esgota nas bancas em oito dias, enquanto a Espaço D, permanece durante 25 dias'', avisa Olga , a jornalista já planeja uma outra novidade: o lançamento de um livro sobre etiqueta está cada vez mais próximo. Com a grife Olga Krell, claro.

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