De volta às origens
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domingo, 01 de fevereiro de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando era menina, a paranaense Érika Ikezili, recém-chegada à capital paulista, foi com a tia visitar lojas de noivas. Viu com interesse a tia contar a uma estilista como queria seu vestido, a peça ser desenhada e alguns dias depois o rabisco ganhar forma. Foi nessa época que ela decidiu: queria ser estilista. ''Essa transformação do desenho para o tridimensional me encantou'', revela. Hoje, a moça nascida em Cornélio Procópio desfila suas coleções na semana de moda mais importante da América Latina, a São Paulo Fashion Week (SPFW), além de vender peças em todo o Brasil e no exterior.
Mas o caminho entre o sonho de criança e a realidade foi longo. Érica formou-se em Desenho de Moda na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, em 1999. Na época, já trabalhava como assistente de Alexandre Herchcovitch, na área de produção.''Eu sempre tive muita liberdade de criação com Alexandre. Com ele aprendi tudo'' conta Érica, para quem a faculdade ensina apenas a teoria.
Há nove anos, a estilista estreou nas passarelas. A primeira experiência foi no Projeto Lab - Semana da Moda, no mesmo período em que começou a vender suas criações no alternativo Mercado Mundo Mix. Logo depois, ela passou a integrar o Amni Hot Spot, circuito patrocinado pela Rhodia Poliamida. Participou da Semana de Moda - Casa de Criadores e, em janeiro de 2005, fez sua estréia na programação oficial da SPFW, mesmo evento em que o mestre Herchcovitch apresenta suas coleções masculinas e femininas.
Desde que apostou na carreira solo, Érika tem um diferencial: foi buscar nas sua origem oriental inspiração para suas coleções. Sansei, a jovem estilista resgatou os costumes nipônicos depois que se casou. ''Isso não quer dizer que eu só me inspire nisso, mas a construção das roupas japonesas sempre me chamou atenção'', conta. Dessa vez, para a coleção inverno 2009, ela resgatou os furoshikis, tecidos usados para embrulhar coisas e que são apenas dobrados ou amarrados.
A praticidade do tecido foi levada em conta na hora de criar peças objetivas e delicadas. E na hora de avaliar o conjunto da mais recente edição da SPFW, ela também é categórica: ''Daria nota oito. Acho que o pessoal está meio preocupado com a crise e isso reflete um pouco na criatividade'', avalia. Para ela, que tem uma equipe de nove pessoas, a ''crise'' ainda não chegou ao ateliê. ''Mas sei que somos pequenos. A preocupação de um ateliê grande é muito maior. Mas aí acaba levando em consideração mais o negócio do que a arte'', diz.
Atualmente, as roupas de Érica podem ser encontradas em 20 pontos do País. Há quatro anos, ela passou a investir na exportação e já tem clientes no Japão, Grécia e Estados Unidos. A meta neste ano é focar ainda mais no exterior e profissionalizar-se mais. ''Acho que o mercado da moda ainda é carente de profissionalização. Somos um segmento novo, mas não dá para dispensar a teoria, a formação profissional'', conclui.


