Impossível olhar para Maria Helena Fittipaldi e não se lembrar dela, nas décadas de 70 e 80, com seus belos chapéus de sol, cronometrando as corridas do piloto Emerson Fittipaldi pelos autódromos do mundo todo. Se Emerson era notícia, Maria Helena também roubava flashes. Bonita, elegante, companheira do piloto nas pistas de corrida, ela fala do ex-marido e daquele tempo com carinho. Mas sem ponta de saudosismo ou qualquer coisa parecida. ‘‘Eu amava o que fazia. Acompanhei o Emerson muito tempo e aprendi muita coisa do automobilismo’’, ressalta.
Maria Helena, que teve por inúmeras vezes suas fotos publicadas em jornais e revistas internacionais, continua bonita, elegante, e agora retorna aos autódromos, mas em outra situação. Trocou o belo chapéu de abas largas preto com detalhes em pele de onça, pelo cabelo preso, calças compridas, camisas esporte e uma inseparável pasta. Ela é presidente da Associação das Mulheres Pilotos de Automobilismo de Competição (Ampacom), que desenvolveu um projeto de um campeonato brasileiro feminino e, agora com o apoio da Ford, lança neste final de semana, em Londrina, o certame da categoria, com a presença de 16 competidoras. Hoje acontece a primeira etapa do Campeonato no autródomo Ayrton Senna, a partir das 9 horas.
Separada do piloto Emerson Fittipaldi, Maria Helena casou-se novamente e foi morar na África do Sul. Voltou ao Brasil em 1993 e começou a trabalhar no setor de hotelaria. O convite para retornar aos autódromos surgiu em 1998 e partiu dos orgnizadores da categoria Palio A e B. ‘‘Homens que queriam uma categoria de mulheres correndo. Apostei e lutei durante três anos, sem patrocínio. Mas deu certo. A Ford reconheceu e tem nos dado todo o apoio. Agora a minha vida é longe de casa, viajando, divulgando o campeonato. A imprensa tem papel fundamental no sucesso da categoria’’, ressalta.
No início a família toda se assustou com o convite aceito. Afinal, assumir a direção de um campeonato de automobilismo não é tarefa fácil e muito menos para uma mulher. Maria Helena desmitificou isso tudo. Fez um trabalho tão bom que acabou abrindo a Ampacom – Associação das Mulheres Pilotos de Automobilismo Competitivo – e hoje conta com o apoio dos filhos, netos e do sobrinho Christian Fittipaldi, também piloto, que a presenteou com um capacete personalizado, feminino. ‘‘O capacete foi desenhado por um expert, e é a minha cara, tem o meu jeito. Foi a forma de ele me incentivar e me apoiar ’’, conta ela.
Maria Helena explica que tudo é preparado no Centro de Pilotagem Roberto Manzinni, em São Paulo. ‘‘Sou muito exigente e sei que este é um esporte de risco. Então, as mulheres são acompanhadas por instrutores durante dois dias inteiros e analisadas se possuem aptidão para correr’’, ressalta.
Desse campeonato participam mulheres de 20 a 46 anos e, segundo Maria Helena, ao mesmo tempo em que são formadas novas competidoras, também há aquelas que possuem grande experiência de pilotagem e que são sucesso da categoria. Como Suzane Carvalho, que tem em seu currículo o título de campeã sul americana de F-3 (classe B); Cristina Rosito, que já competiu de F-Ford, Marcas e venceu as ‘‘12 Horas de Tarum㒒, no ano passado; Juliana Carrera, campeã da F-Uno em 98; Danusa Moura, que compete de Stock Car este ano; a catarinense Andrea Klotz, as paulistas Patrícia Vega, Ann Pegg Bauer, Mara Feltre, que já correram de F-Uno, assim como a londrinense Andrea Borghesi.

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