Ela pode até ser considerada esquisita e irritadinha pelo seu histórico polêmico e pela performance no programa de entrevistas que leva o sugestivo nome de ''Irritando Fernanda Young'', exibido pela GNT, mas o fato é que de perto, a escritora, atriz, roteirista e apresentadora carioca é bem normal. Ela ressaltou a premissa em um encontro que teve com jornalistas e depois com uma plateia lotada durante a Feira de Gestão da FAE, que aconteceu em Curitiba na semana passada.
Mas por que não seria? Afora o personagem que gosta de vestir (''As pessoas famosas nunca falam a verdade'', garante), a apresentadora é uma mulher pública contemporânea, que escreve livros sobre os romances atuais e suas peculiaridades e gosta de provocar os entrevistados com questões pessoais. Não tem problemas em dividir os seus próprios gostos também. No evento gastronômico da feira, dispensou o pedido para a chef e pediu só cerveja. ''Eu amo cerveja. Sou uma consumidora nata, só não abuso mais por causa do álcool'', brincou. Normal, não?
Bem-humorada, a apresentadora está prestes a fazer 40 anos e vai estampar pela primeira vez a capa da Playboy, em novembro. Sobre a decisão de posar nua tem na ponta da língua pelo menos duas coisas que a motivaram. Uma do ponto de vista coletivo - ''é libertador'' - e outro pessoal:''é vingança''. Depois de ter criticado publicamente vários ensaios sensuais da revista, ela justifica, sem falsas modéstias ''Resolvi posar nua para ver o que gosto numa revista masculina''.
Fernanda diz se considerar uma pessoa bonita, mas tem um conceito que eleva mais do que a estética: a autoestima. Costuma ensinar a palavrinha - assim como o seu significado - para as filhas e até conta uma história engraçada sobre o tema. Revela que sempre usa o termo com as crianças, mas que nas conversas também costuma deixar passar o quanto gosta das mulheres altas. ''Um dia, disse para uma das meninas: o que uma mulher mais precisa ter é au...'' E a filha automaticamente, respondeu: ''altura''.
Brincadeiras à parte, ela não desiste do conceito e faz questão de ressaltar a importância dele principalmente como mãe de meninas (ela tem três filhas). Educar nesse sentido para ela é um desafio, principalmente pelo contexto histórico em que as mulheres foram criadas. ''Não quero que minhas filhas se sintam escravas do olhar alheio. Ter autoestima é uma questão de sobrevivência'', diz, complementando que não gostaria que as meninas crescessem pensando que a beleza as legitima.
Fernanda conta que mudou a maneira de pensar a feminilidade aos 30 anos. ''Antes, eu tinha um processo de negação da feminilidade, mas isso mudou. Agora, tenho, sim, uma preocupação constante em estar arrumada'', confessa. É ela, por exemplo, quem escolhe as roupas que usa no programa e também deu vários pitacos no ensaio sensual que fez recentemente. Mas para comprovar ainda mais a preocupação, há pouco mais de seis meses, Fernanda adotou uma peça peculiar no figurino, o corset.
A peça, usada até o século passado para afinar a silhueta e dar postura às mulheres, foi resgatada pela moda contemporânea e adotada por Fernanda. ''Com ele, eu me sinto organizada por dentro e por fora. Me sinto mais feminina. Quando tiro, parece que tem alguma coisa errada comigo'', conta a escritora que está em ótima forma, mas já chegou a ter 30 quilos a mais.
A escritora, que já assinou roteiros dos programas ''A Comédia da Vida Privada'', ''Os Normais'' e ''Minha Nada Mole Vida'', lançou livros como ''Aritmética'' e ''Efeito Urano'', é casada com o também roteirista e escritor Alexandre Machado. Está gravando a oitava temporada do programa ''Irritando Fernanda Young'' e está prestes a lançar um novo livro - ''Pau'' -, cuja história - que também promete ser polêmica - gira em torno do membro masculino. O livro será o primeiro a ser lançado pela editora Rocco. ''É uma coisa meio Stephen King'', adianta. Para ler as entrelinhas e acreditar que todo mundo, de perto, é normal. Como ela.

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