De olho no guarda-roupa alheio
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
São Paulo - Com o bloquinho na mão e os olhos atentos nas passarelas do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week, a jornalista carioca Helen Pomposelli anotou as tendências para a próxima estação. Depois contou tudo para os leitores do site Ego, do qual é a atual editora de moda. Mas foi remexendo no guarda-roupa alheio que Helen ficou conhecida pelo Brasil afora.
Durante cerca de dois anos e meio, Helen apresentou o quadro Vamos Combinar do programa Armazém 41, no canal pago GNT. ''Era para ser um programa sociológico sobre o armário e acabou se tornando um serviço de consulta de moda'', conta Helen, que foi ganhando mais espaço com o passar do tempo e com o sucesso conquistado. ''Tinha dois minutos e ficou com cinco, além dos especiais de final de semana'', lembra.
Formada em Belas Artes e em Jornalismo, Helen fez especialização em moda em Florença, na Itália. ''Tive todo um embasamento histórico'', diz sobre os estudos em solo italiano. De volta ao Brasil, Helen teve experiência de produtora de moda nos jornais O Globo e Jornal do Brasil. Na televisão, dava dicas para as pessoas que buscavam mudanças fashion. Mas nada radical, já que Helen sempre adequava as novidades com o que já existia no armário de cada participante.
É nessa linha que surgiu o livro Trocas e Truques de Moda, primeiro livro da jornalista, lançado no final do ano passado no Rio de Janeiro e em São Paulo. São 200 dicas especialíssimas espalhadas nas 123 páginas. Com o tamanho reduzido, o livro cabe em qualquer cantinho. ''É uma agenda do armário'', define a autora, que ensina que o livro deve ficar sempre à mão. ''É como um daqueles livrinhos de minutos de sabedoria'', brinca. As dicas de Helen não são efêmeras como a moda que muda a cada estação. São idéias para serem seguidas no outono ou na primavera, verão ou inverno.
''Todo mundo quer um um conselho de moda. Seja numa ocasião especial como casamento ou batizado, seja no dia-a-dia do trabalho ou para uma simples recepção em casa'', avisa Helen logo na apresentação do livro, que é divido como nas partes de um guarda-roupa. Da caixa de acessórios ao sapateiro, passando pelo recheio dos cabides.
''Moda é cultura e todos têm que ter acesso'', afirma a autora. Tanto que a jornalista quer que tais conhecimentos sejam compartilhados até mesmo com as crianças. E é justamente para o mundo infanto-juvenil que ela olha nos próximos lançamentos editoriais. Em abril deve sair do forno o primeiro título da trilogia Keka (em homenagem à filha de quatro anos). O número 1 será ''Keka tá na moda'', depois virão ''A Saia Voadora de Keka'' e ''Keka tem sua tribo'', todos pela editora Rocco. São histórias para crianças de 6 a 12 anos ''mas que todo mundo poderá ler'', garante.
Para os adultos, a dica essencial é uma pergunta a ser feita olhando no espelho. ''Qual é a sua silhueta?'', questiona Helen. Para a especialista, quem conhece o próprio corpo tem mais facilidade na hora de se vestir e comprar roupas e acessórios. ''Para evitar que compre a vitrine inteira de uma loja, conheça seu corpo antes de seguir uma tendência. Basta ser você mesma e seguir o modelo que te vista melhor e não o estilo qque você quer ter e não combina'', ensina. ''O supermercado de estilos dá margem para as pessoas serem livres, mas essa liberdade tem que ser equilibrada'', completa.
Um dos perigos do guarda-roupa? ''O sapato boneca'', dispara Helen. ''Dependendo da idade, pode parecer infantilóide'', explica. Para a jornalista, o que não pode faltar são brincos de argolas. ''Sofisticada e sensual, escolha uma (argola) dourada bem fininha e grande ou, se preferir, uma pequena em ouro branco. A melhor dupla é, sem dúvida, argolas grandes com cabelos presos, quer mais charme?'', enfatiza a expert.
AS DICAS DE HELEN
- O truque é fazer da roupa e do acessório um aliado seu, para não chamar atenção do seu ''defeito'', e não um inimigo. Ou seja, usar um decote para fugir dos grandes quadris ou experimentar uma saia para não favorecer os seios grandes. Tente. O ideal é que você nunca pare de experimentar novas possibilidades.
- Para as mais cheinhas o ideal é não abusar dos acessórios, principalmente se tiver braço gordinho e se produzir com pulseiras, ou se tiver pescoço curto e colocar um colar ou lenço grosso. A dica é usar acessórios minimalistas tanto na forma quanto na quantidade.
- Pelo menos duas vezes ao ano, separe algumas peças para doar e procure deixar circular a energia para sua vida andar. Na hora da arrumação, procure deixar somente as roupas que tenham valor sentimental. Além disso, deixe sempre uma roupa que tenha um bom corte, bom tecido, roupas com estilo mais clássico e com uma modelagem mais moderna. Não adianta guardar um tailleur da década de 1980 com aquelas ombreiras enormes e corte quadrado e achar que vai usá-la novamente. Isso é proibido, viu? Além de envelhecer o seu visual, não favorece a silhueta.
- Nem toda mulher gosta de pulseiras, mas que tal escolher uma que possa ser produzida com blusas e vestidos de manga curta? Jamais com manga comprida. Se o vestido for estampado, escolha uma pulseira com um tom de cor que possa dar continuidade à cor da estampa. Se a blusa for mais informal, evite usar uma pulseira de material muito inferior. Não se esqueça: o acessório é para acentuar sua produção e não para apagá-la.
- Ninguém aguenta mais ver os xales em casamento. Mas o ideal dos xales é quebrar uma regra de uso. Como assim? Evite o estilo vovó que o xale pode dar no seu visual e use com um simples vestidinho de malha e sandálias rasteiras. Incremente os ombros com um xale indiano bordado à mão. Entendeu?


