DE OLHO NELES
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quinta-feira, 28 de junho de 2001
Karla Matida Enviada especial a São Paulo 
O calendário oficial faz anos e a sorte é toda da moda brasileira. Com bolo e velinhas, a São Paulo Fashion Week começou na quarta-feira comemorando cinco anos de existência. Paulo Borges, idealizador e diretor do maior evento de moda do País, criou também a frase da camiseta da temporada e que expressa todo o sentimento de quem passa pelo prédio da Bienal: fashion is passion and is my profession. Em bom português, moda é paixão e é a minha profissão.
E a SPFW teve um início diferente de outras edições, apenas com desfiles com criações voltadas para os homens. Para justificar o dia da moda masculina abrindo o evento, Borges disse que queria dar muita visibilidade para a moda masculina. Foram cinco desfiles, incluindo a estréia de Mário Queiroz, que até a estação passada apresentava suas coleções na Semana de Moda Casa de Criadores.
No primeiro desfile do dia, o estilista Alexandre Herchcovitch mudou tudo. E do pink aceso do inverno, passou para os tons pastel. Cada hora vou querer uma coisa, diz o estilista, que também assina pela primeira vez uma coleção de underwear masculina para a tradicionalíssima marca de cuecas Zorba.
Além de cuecas, Herchcovitch também traz ceroulas e regatas. E envolvido com o universo roupas de baixo, o estilista coloca elásticos nas roupas de cima. Os ajustes, segundo Herchcovitch, reforçam a idéia do largo, do oversized das roupas.
Para o verão 2001, o estilista volta a usar o não-tecido à base de poliuretano, nas calças e jaquetas. Mas o jeans não perde espaço e chega estampado (com xadrezes e listras diagonais).
E a estréia de Mário Queiroz tem sotaque português, pois a inspiração da coleção vem toda dos azulejos portugueses, assim como o deus dos mares Netuno. Na passarela e no guarda-roupa masculino isso resulta em muito azul da cor do mar. Ou da cor do céu (com muitas nuvens). Os marinheiros também marcaram presença, mas em 2002, eles irão usar gravatas de couro.
E no dia da moda masculina, os marinheiros também desembarcam na Ellus. Uma coisa meio Pearl Harbor, disse alguém na platéia. Na verdade, o clima é mais paz e amor no ritmo das ondas. Depois dos uniformes (muito branco e azul), vem o mar do Havaí, que surge explícito nas camisas de mangas curtas estampadíssimas. Aliás, as tais camisas em modelagem mais quadrada, literalmente porque estão mais curtas são promessa de hit para o verão.
E o Havaí também é aqui para Fause Haten, que diz que adoraria ter tido tempo de ficar na praia horas e horas surfando. Para os dias de calor, nada melhor que tecidos leves, como a gaze e a cambraia das camisas. Além das bermudas (surfistas, claro), também chegam calças jeans com duas aberturas. Explica-se, o estilista tirou o zíper do lugar tradicional e trocou por aberturas laterais. E surf com estilo tem faixa de smoking na cintura.
Depois do protesto da edição passada, quando cobriu o rosto de todos os modelos (por conta de uma reclamação contra o exagero de celebridades na passarela), Ricardo Almeida olha para o passado. A inspiração vem dos anos 60, mas o estilista define a coleção como retro moderna. Calças e camisas de malha estão mais ajustadas ao corpo (o que significa não abandonar a academia nem no dia mais frio e preguiçoso do ano). E nos ternos de Almeida, todos os casacos têm um só botão, quase próximo à cintura.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento


