"Eu sou muito grata pela confiança que depositaram em mim para fazer essa personagem", diz Vera Holtz, de 63 anos
"Eu sou muito grata pela confiança que depositaram em mim para fazer essa personagem", diz Vera Holtz, de 63 anos | Foto: Maurício Fidalgo/Globo



Vera Holtz se entrega a toda personagem que faz. Por isso, não seria diferente com Magnólia, a grande vilã de "A Lei do Amor", novela das 21h da Globo. E, sem tecer qualquer julgamento sobre as maldades de Mág, a atriz procura ser convincente como a mulher que faz tudo em nome da família Leitão. Por trás de uma postura religiosa, a esposa de Fausto (Tarcísio Meira) apronta, e aprontará muito mais, na trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Assim, sua lista de desafetos, composta por Pedro (Reynaldo Gianecchini), Augusto (Ricardo Tozzi), Elio (João Campos) e Tião (José Mayer), entre outros, só cresce.

Na entrevista a seguir, a atriz de 63 anos fala sobre ser vilã, se tenta ou não humanizar Mág e qual a inspiração para interpretá-la. Vera também entrega os segredos para ter aparecido 20 anos mais jovem durante a fase inicial da novela, fato que só foi possível graças ao talento do maquiador inglês Mark Coulier (dos filmes do bruxo Harry Potter).

A atriz global conta, também, como é a sua relação com os comentários que lê acerca de seus trabalhos na internet e como surgiu a iniciativa de criar a persona Vera Viral nas redes sociais, onde publica fotos dela mesma, em situações inusitadas

- Apesar das maldades que a Magnólia comete desde os primeiros capítulos de 'A Lei do Amor', você tenta humanizá-la de alguma forma?
Eu acho que a personagem vai das regiões mais graves até as mais agudas. A Magnólia é uma mulher elegante, tem uma personalidade, mas tento humanizar o máximo e multifacetá-la para que o público se reconheça um pouco nela. A Mág é muito católica também, tem uma identificação forte com os valores da religião e fala muito disso. A casa dela tem muito santo. A mola de ação da personagem é a instituição familiar.

- Você tem expectativa de que a Magnólia entre para a galeria das vilãs superodiadas pelo público?
Eu não sou uma pessoa que tem expectativas em relação ao futuro. Primeiro, porque não lembro muito das coisas do passado. E o passado faz o futuro de alguma forma. Eu sou muito grata pela confiança que depositaram em mim para fazer essa personagem. Então, sempre falo como (Pablo) Picasso falava: "Eu não procuro, eu encontro". Ela me encontrou e eu a encontrei. É assim que a vida é pra mim. Um pouquinho de acaso me agrada bastante.

- Para a primeira fase da novela, a caracterização contou com o auxílio do famoso maquiador Mark Coulier. Como foi essa experiência?
O Mark (Coulier) tinha feito um workshop comigo na época da Dona Redonda, de "Saramandaia". Eu tive a oportunidade de conhecê-lo. Quando ele veio para fazer a primeira fase do nosso trabalho, preparou as equipes. A minha peruca e a do Tarcísio (Meira) foram feitas especificamente pra nós. No rosto, nós trabalhamos com os extensores, que é uma técnica de rejuvenescimento. São uns adesivos que eles colocam em determinadas partes dos rostos. E uma maquiagem de rejuvenescimento, com sobrancelhas aumentadas, olheiras e rugas que sumiam. Tivemos de neutralizar tudo isso e fazer uma composição com as perucas. Você se completa. Figurino e maquiagem reafirmam a personagem pra gente. Você estuda o papel, mas quando vem uma palheta de cores ou a forma que o seu corpo vai ter, isso dá a identidade da personagem. Eu fui para 1995! A caracterização nos leva para outro lugar. Dá um estranhamento se olhar, mas é gostoso.

- E qual foi a sua inspiração para compor essa vilã?
Tem uma grande série americana, "House Of Cards". O Kevin Spacey (o ator protagonista) é o santinho que está do lado da minha cama. Pelo distanciamento, pela forma como ele interpreta. Uma interpretação muito contemporânea, pois não reforça nada. Ele estava fazendo uma maldade absurda, mas continuava totalmente neutro. E essa é uma busca que a gente tem quando possui uma cena de bastante peso, dar uma neutralidade, uma leveza. Eu não tenho julgamento nenhum com as minhas personagens É ficção. Sempre lembro isso. Então embarco totalmente e vivo a história.

- O que você acha dos comentários na internet sobre as novelas?
Meme já existe desde a Santana (personagem alcoólica da atriz), de "Mulheres Apaixonadas", e eu adoro. Gosto de estudar esse mundo. Na web você tem desde o comentário de profundo mau gosto até a coisa mais delirante. Você imagina o que é o comportamento humano e percebe que tem muitos pontos de vista distintos.

- Falando do seu contato com o público na internet, como aconteceu a Vera Viral nas redes sociais, com aquelas fotos conceituais que viralizam?
Esse foi um trabalho autoral que comecei depois de ter feito "O Rebu". Precisava de um tempo pra mim. Fiquei aguardando "A Lei do Amor" durante um ano e pouco. Nesse período fiz muito cinema, mas consegui encontrar essa minha identidade performática que não sabia onde estava. Consegui trabalhar dentro do Facebook e do Instagram de uma forma diferenciada. Tem muito conceito dentro de uma foto. Num dia, estava andando pela Rua Frei Caneca, em São Paulo, e, quando passei na frente dos bares, vi as pessoas começarem a gritar: "Vera!". Ninguém veio me abraçar nem tirar foto comigo. Do lugar em que eles estavam começaram a me aplaudir. E numa curva, à medida que eu ia passando, as pessoas me aplaudiam. Ali percebi que era o público jovem das redes sociais. Achei o máximo. Encontrei a turma e ela me encontrou. A gente fez uma comunhão muito interessante. Quando eu publico alguma coisa fico sentadinha acompanhando. Não dou muita opinião. Às vezes, posto a mesma coisa no meu perfil particular e não acontece nada. Então, acho interessante como é segmentado. Aquela turma ali gosta da Vera Viral.

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