De corpo e alma
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de junho de 2005
Vanusa Macarini<br> Especial para Folha Gente 
Eloqüente e falante, Galvão Bueno era só bom humor para a entrevista. Recém-chegado a Londrina de uma de suas coberturas globais e já se preparando para decolar no dia seguinte para narrar um jogo do Brasil ele estava agitado, uma marca pessoal e nítida de quem tem uma vida profissional tão intensa. Mais requisitado narrador esportivo do País, Galvão viaja o mundo sem afrouxar os vínculos e compromissos que mantém com Londrina. Para cá ele trouxe sua família, a mãe, Mildred, filhos e a neta, Vitória. E aqui também apostou todas as fichas numa nova etapa de sua vida, embalada por uma paixão pela modelo e empresária Desirée Soares, que logo deu a ele o filho caçula, Luca, hoje com 4 anos. Bem disposto, Galvão respondeu às seguintes perguntas:
Folha GenteComo você administra o tempo e as distâncias para conseguir estar sempre em Londrina?
Galvão Se pensar só em distância, em tempo e sacrifício, não valeria a pena! Mas estar em Londrina significa estar na cidade que escolhi para viver, estar com amigos e, acima de tudo, com a família, com a Desirée e o Luca. Aí não há distância a ser vencida, há o prazer de voltar.
Folha GenteE a Fundação Galvão Bueno?
Galvão Este é um sonho que está se tornando realidade. O Centro de Convivência do Idoso vai ser uma obra importante, um marco para Londrina e Norte do Paraná. Gostaria de dedicar mais tempo a ele, mas tenho minha mãe que faz um trabalho absolutamente fantástico, que me impressionou. Além disso há todos os amigos que estão ajudando financeiramente ou dedicando tempo para que a obra cresça e que exista da forma como imaginei.
Folha GenteVocê tem grandes amigos em Londrina. Quem são eles?
GalvãoCitar amigos é complicado, pois posso cometer injustiças. Eu digo sempre que amigos você imagina ter muitos, ainda mais uma pessoa pública como eu. Mas sei que tenho muitos conhecidos, um sem número. Tenho alguns amigos. Tenho poucos bons amigos. E tenho algumas pessoas que são especiais. Costumo dizer que as mais especiais cabem em uma das mãos. Eu tenho uma mão em Londrina, outra em São Paulo e outra no Rio de Janeiro (risos). Aqui tenho Chico Gregori, (Luiz Carlos) Miguita, Issamu Onishi uma pessoa muito querida , Bruno Veronesi, Georges Touma, e aquele que é o mais divertido, o Júnior Hauly. Em Londrina, eu tenho uma mão de seis dedos... Estes são os amigos da primeira hora, da primeira fase, do primeiro momento.
Folha GenteQual o lado bom e qual o lado ruim da fama?
GalvãoO lado bom é muito maior que o lado ruim. Mas, às vezes, o lado ruim marca mais. O lado bom: se você é famoso em função do seu trabalho, não porque roubou ou se aproveitou de alguém ou de algum cargo, ou famoso por ser bandido... Se a sua fama vem do seu trabalho e da qualidade dele, só isso já é gratificante. Aí a fama te abre portas, facilita a vida, ajuda em outros negócios, desde as coisas mais simples como você não ter de ficar esperando num restaurante, de ser bem atendido num balcão, até poder chegar em cima da hora para pegar um vôo. Essas coisas que podem parecer fúteis e tolas, mas que fazem parte do dia-a-dia. O carinho das pessoas, o reconhecimento, chegar num estádio como às vezes eu chego no Nordeste, com 30, 40, 50 mil pessoas gritando meu nome. Isso é extremamente gratificante! O lado ruim da fama é você ficar exposto a algumas maldades. Não tem nada a ver com assédio, que é bom e faz bem para o ego. O aspecto desagradável é que você fica com a vida exposta, por vezes, à inveja. Então surgem boatos, histórias... Muitas vezes fui alvo de comentários maldosos. Eu tenho uma paixão grande por minha mulher, sou carinhoso com ela. E surgiu, não sei de onde, a história de que sou violento. Eu não sou nada disso!
Folha GenteComo você se relaciona com a crítica e no que concorda com ela?
GalvãoHouve uma época que eu me descabelava com a crítica, ficava louco! Hoje não ligo mais. Sei a qualidade e a importância do meu trabalho. Conheço o valor que tenho para a empresa onde trabalho, e qual a importância que ela tem, sendo a maior empresa de comunicação do Brasil. Até pelos valores de meu contrato, pelo fato de mais uma vez como agora e sempre que falta um ano e meio para vencer meu contrato e já estou renovando. Pela grandeza e pelo valor do contrato, eu sei da minha importância. E também pelas pesquisas que são feitas, pelo carinho das pessoas. Então deixo falarem. Só não gosto de maldade, de ataques pessoais. Aquilo em que os críticos batem frequentemente é que eu torço muito pelo Brasil, que sou muito passional. Eu não concordo com isso. É uma questão de estilo, sempre fui assim e o público sempre me aceitou. Quem não gostar... não faço questão nenhuma que goste!
O que eles talvez tenham razão é que eu, por ter uma personalidade muito forte, por ter muita autoconfiança, às vezes exagero um pouco. Não que eu seja prepotente, mas eu posso passar essa imagem por assumir atitudes muito firmes. Então eu vou me reciclando, vou ouvindo e dando uma maneirada. De vez em quando eu sou over, então nisso eu concordo com eles, que de vez em quando eu sou over.
Ironias como ocorrem no Casseta & Planeta, por exemplo, são uma maravilha. Isso é prêmio! Não me lembro quem disse que só pode se considerar realmente importante quem vira personagem de humor. Você ser um personagem num programa importante e impertinente como o Casseta é ótimo! Meu maior crítico é o Macaco Simão (da Folha de S. Paulo). Ele é inteligentíssimo. Eu o leio todo dia e morro de rir. Mas, às vezes, ele passa do ponto, é desrespeitoso como foi várias vezes com Dona Ruth (Cardoso). É muito escrachado, mas é engraçado. Tem coisas que ele escreveu de mim que eu mesmo morro de rir.
Folha GenteCom o que você gosta de gastar dinheiro?
GalvãoEu adoro gastar! Sou um consumista desenfreado. Tenho paixão pelos vinhos; gosto de carros esportivos; de me vestir bem; gosto de viajar. Mas as três coisas com que gasto com maior prazer são meus vinhos, a qualidade dos hotéis onde fico e os presentes que dou a minha mulher.
Folha GenteQue vinho não pode faltar em sua adega?
GalvãoNão existe um, especificamente. Tenho praticamente tudo que há de bom no mundo. Franceses, espanhóis, italianos, portugueses, argentinos, australianos, neozelandeses. O que não pode faltar é um bom vinho! Não existe uma só marca. Cada momento é um momento.
Folha GenteÉ verdade que outros famosos, como Faustão e Willian Bonner, estariam pensando em se mudar para Londrina, influenciados por você?
GalvãoViagem do povo, nunca ninguém falou nada disso. O que eles viriam fazer aqui, tendo de estar lá todos os dias?
Folha GentePara finalizar, qual o seu time?
Galvão Não conto. Nem sob tortura
O conteúdo desta entrevista também está no site www.catuaishopping.com.br, que estréia hoje uma coluna social assinada pela jornalista Vanusa Macarini


