Danuza Leão
Você já morou com algum homem, casada ou mais ou menos? E esse homem algum dia ficou doente, uma coisa bem leve, tipo uma gripe, com febre de 38 graus? Pois é.
Homens doentes são apenas in-su-por-tá-veis, e não há amor neste mundo nem paciência que faça com que uma mulher resista uma semana a um homem o dia inteiro em casa, e pior: gripado.
Primeiro, eles vão para a cama sem precisar, sóa serem paparicados como crianças. Querem atenção o tempo todo e ai de você se não estiver to-tal-men-te disponível na hora nas horas, melhor dizendo que ele te chamar. São umas 10 vezes por dia para dizer que está com frio ou com calor, umas 15 para pedir que você ponha o termômetro coisa que nenhum homem sabe fazer sozinho, umas 20 para saber se não seria melhor chamar o médico. É claro que ele não tem quase nada, e qualquer mulher, naquele estado, estaria saindo do cabeleireiro pronta para uma festa, mas eles não. Eles querem e precisam de atenção e proteção, ai, coitadinhos. E de preferência com você deitada ao lado, mas pronta para se levantar 37 vezes por hora para cuidar de seu bem-estar, o físico e o moral.
Como conselho preventivo, ao primeiro espirro, vitamina C nele, para tentar evitar o pior: uma semana dentro de casa, com você fazendo as vezes de companheira, escrava, enfermeira e mãe. Ah, e de amante, claro.
Mãe; o mais glorioso papel de uma mulher, mas não de um homem daquele tamanho e daquela idade, que você conheceu na noite, com um copo de uísque na mão tentando te seduzir. Toda a solidariedade aos homens que amamos, mas um homem doente é extremamente espaçoso, e quanto menos grave for a doença, pior.
Quando você sai do quarto ele pergunta onde você vai?. Ora, dentro de uma casa, uma mulher só sai do quarto para ir à sala, ao banheiro ou à cozinha.
Mas qualquer febrinha afeta o cérebro dos homens, mesmo o mais seguro deles, e na hora em que você atravessa a porta eles se sentem sendo abandonados para sempre.
Homens doentes têm o costume de gemer muito; quando se viram na cama, quando tentam se levantar coitadinhos para entrar naquele banho que você preparou com tanto carinho, com arnica e sal grosso, para livrá-lo de todos os males, amém, e até quando respiram.
Quando, no terceiro dia, depois de você insistir muito, ele vai para a sala enrolado num cobertor, vai mancando, como se tivesse quebrado as duas pernas. Talvez fosse o caso de providenciar umas muletas, para que o coitadinho possa se locomover com mais conforto e olha que estamos falando só de uma gripe de nada.
Ela que não ouse sair de casa, nem para ir à banca de jornais comprar as revistas da semana para distraí-lo um pouco; para dar uma volta e arejar a cabeça ou ir a uma simples aula de ginástica, nem pensar. Ela tem que estar ali à disposição, 24 horas por dia, sem poder afastar os olhos dele nem por um minuto. Aliás, os olhos só, não: os pensamentos também.
Quer ter um pouco de paz? Fique de olhos fixos no relógio e de 10 em 10 minutos não, de 8 em 8 pergunte como ele está se sentindo, e se quer alguma coisa. Esteja sempre pronta para trocar o paletó do pijama, as meias de lã e para afofar os travesseiros, que têm de ser pelo menos quatro: os dois dele e os seus dois. E você vai dormir sem nenhum? Mas é claro, e sem reclamar um só minuto.
Ah, um homem gripado em casa que coisa complicada. Trate dele muito bem, e faça tudo, mas tudo mesmo, para que ele fique bom logo, antes que você saia, bata a porta e suma, sem nem dizer tchau.
Mas, antes de tomar uma atitude tão drástica, lembre-se da primeira gripe que ele teve, quando ainda namoravam, e do prazer que tinha em cuidar dele. Tê-lo ao lado o tempo todo fazia você tão feliz que quando ele dizia que já estava bom e já dava para trabalhar no dia seguinte batia até uma certa tristeza.
E , já que a hora é de pensar, pense que nesse exato momento deve existir uma mulher que adoraria estar cuidando dele todos os minutos do dia, como você já fez, de olho e prontinha para dar o bote. Pense também que não há nada mais vulnerável do que um homem sobretudo os gripados, e depois não se queixe.





