Você já morou com algum homem, casada ou mais ou menos? E esse homem algum dia ficou doente, uma coisa bem leve, tipo uma gripe, com febre de 38 graus? Pois é.
Homens doentes são apenas in-su-por-tá-veis, e não há amor neste mundo – nem paciência – que faça com que uma mulher resista uma semana a um homem o dia inteiro em casa, e pior: gripado.
Primeiro, eles vão para a cama sem precisar, sóa serem paparicados como crianças. Querem atenção o tempo todo e ai de você se não estiver to-tal-men-te disponível na hora – nas horas, melhor dizendo – que ele te chamar. São umas 10 vezes por dia para dizer que está com frio ou com calor, umas 15 para pedir que você ponha o termômetro – coisa que nenhum homem sabe fazer sozinho, umas 20 para saber se não seria melhor chamar o médico. É claro que ele não tem quase nada, e qualquer mulher, naquele estado, estaria saindo do cabeleireiro pronta para uma festa, mas eles não. Eles querem e precisam de atenção e proteção, ai, coitadinhos. E de preferência com você deitada ao lado, mas pronta para se levantar 37 vezes por hora para cuidar de seu bem-estar, o físico e o moral.
Como conselho preventivo, ao primeiro espirro, vitamina C nele, para tentar evitar o pior: uma semana dentro de casa, com você fazendo as vezes de companheira, escrava, enfermeira e mãe. Ah, e de amante, claro.
Mãe; o mais glorioso papel de uma mulher, mas não de um homem daquele tamanho e daquela idade, que você conheceu na noite, com um copo de uísque na mão tentando te seduzir. Toda a solidariedade aos homens que amamos, mas um homem doente é extremamente espaçoso, e quanto menos grave for a doença, pior.
Quando você sai do quarto ele pergunta ‘‘onde você vai?’’. Ora, dentro de uma casa, uma mulher só sai do quarto para ir à sala, ao banheiro ou à cozinha.
Mas qualquer febrinha afeta o cérebro dos homens, mesmo o mais seguro deles, e na hora em que você atravessa a porta eles se sentem sendo abandonados para sempre.
Homens doentes têm o costume de gemer muito; quando se viram na cama, quando tentam se levantar – coitadinhos – para entrar naquele banho que você preparou com tanto carinho, com arnica e sal grosso, para livrá-lo de todos os males, amém, e até quando respiram.
Quando, no terceiro dia, depois de você insistir muito, ele vai para a sala enrolado num cobertor, vai mancando, como se tivesse quebrado as duas pernas. Talvez fosse o caso de providenciar umas muletas, para que o coitadinho possa se locomover com mais conforto – e olha que estamos falando só de uma gripe de nada.
Ela que não ouse sair de casa, nem para ir à banca de jornais comprar as revistas da semana para distraí-lo um pouco; para dar uma volta e arejar a cabeça – ou ir a uma simples aula de ginástica, nem pensar. Ela tem que estar ali à disposição, 24 horas por dia, sem poder afastar os olhos dele nem por um minuto. Aliás, os olhos só, não: os pensamentos também.
Quer ter um pouco de paz? Fique de olhos fixos no relógio e de 10 em 10 minutos – não, de 8 em 8 – pergunte como ele está se sentindo, e se quer alguma coisa. Esteja sempre pronta para trocar o paletó do pijama, as meias de lã e para afofar os travesseiros, que têm de ser pelo menos quatro: os dois dele e os seus dois. E você vai dormir sem nenhum? Mas é claro, e sem reclamar um só minuto.
Ah, um homem gripado em casa – que coisa complicada. Trate dele muito bem, e faça tudo, mas tudo mesmo, para que ele fique bom logo, antes que você saia, bata a porta e suma, sem nem dizer tchau.
Mas, antes de tomar uma atitude tão drástica, lembre-se da primeira gripe que ele teve, quando ainda namoravam, e do prazer que tinha em cuidar dele. Tê-lo ao lado o tempo todo fazia você tão feliz que quando ele dizia que já estava bom e já dava para trabalhar no dia seguinte batia até uma certa tristeza.
E , já que a hora é de pensar, pense que nesse exato momento deve existir uma mulher que adoraria estar cuidando dele todos os minutos do dia, como você já fez, de olho e prontinha para dar o bote. Pense também que não há nada mais vulnerável do que um homem – sobretudo os gripados, e depois não se queixe.